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Amistosos da Seleção 2006
Brasil bate a Suíça e encerra ano
legitimando renovação de Dunga
15/11/2006
Rápida e combativa no
meio-campo, a seleção brasileira encerrou o ano com vitória por 2 a
1 sobre a Suíça no estádio Saint Jakob, em Basiléia. Construído com
gols de Luisão e Kaká e muito sufoco na defesa durante o segundo
tempo, o resultado que finaliza a primeira parte do trabalho de
Dunga à frente da equipe legitima a iniciativa de renovação
idealizada pelo treinador.
Com um começo de trabalho quase
perfeito, com cinco vitórias em seis jogos, Dunga consegue bancar o
processo de renovação, que conta com o aproveitamento de uma série
de jogadores que passaram pelas categorias de base da seleção e
ainda aposta na recuperação de algumas estrelas que estiveram na
Copa passada.
No entanto, a proposta de renovação e testes ficou mais no discurso
no segundo tempo nesta quarta, quando a vitória brasileira passou a
ser ameaçada. Dunga não fez todas as substituições propagadas, ao
contrário do suíço Jacob Kuhn (que fez seis modificações), e foi
mais conservador para preservar a vantagem. A principal novidade foi
a entrada de Tinga no meio-campo. Diego e Daniel Carvalho entraram
só nos minutos finais.
"Temos que fazer as duas coisas juntas, as mudanças e conquistar as
vitórias. Mesmo que seja muito difícil manter o mesmo ritmo. Porque
mudam os jogadores e mudam as características. É preciso
consistência e coragem. Tem de mudar", afirmou Dunga após a partida.
Para conquistar a quinta vitória na "Era Dunga", a seleção conseguiu
a façanha de vazar a quase "invencível" meta da Suíça, seleção
eliminada da última Copa sem sofrer um gol sequer em quatro partidas
disputadas (contra França, Togo, Coréia do Sul e Ucrânia).
Mas, a bem da verdade, o mito suíço caiu em uma atuação defensiva
próxima da desastrosa, ilustrada pelo segundo gol do Brasil, quando
Kaká aproveitou uma trapalhada do goleiro Zuberbühler e do zagueiro
Djourou para marcar. No lance do primeiro gol, a marcação também
falhou, deixando Luisão livre para anotar de cabeça.
Em retribuição, a defesa brasileira também falhou feio no segundo
tempo, cedendo o gol de honra da seleção local. No lance, o lateral
Maicon desviou de cabeça contra a própria meta, se antecipando à
intervenção de Hélton.
Ronaldinho Gaúcho, que começou a partida no banco de reservas,
entrou no segundo tempo na vaga de Robinho. A estrela do Barcelona
mostrou alguma desenvoltura, ameaçou a Suíça em cobrança de falta,
mas segue sem marcar pela seleção. São quase um ano e meio sem gols.
Desta forma, a seleção termina o ano invicta sob o comando de Dunga.
O técnico vai para 2007 com saldo de seis partidas, com cinco
vitórias e um empate. Ao todo, a equipe marcou 14 gols no pós-Copa e
sofreu apenas três.
Kaká encerra 2006 como o artilheiro da seleção de Dunga, com quatro
gols. Além da Suíça, a estrela do Milan marcou pelo Brasil nas
vitórias contra Argentina, combinado do Kuait e Equador.
A seleção deixa para trás 2006, ano que ficará marcado pela decepção
na Copa da Alemanha, e parte agora para o próximo ano, que tem como
compromissos a disputa da Copa América na Venezuela e o início das
eliminatórias sul-americanas, apenas no segundo semestre.
"Potencializado" moralmente pelos resultados deste ano, Dunga vai
para 2007 já com um esboço de base em mente e com a liberdade de
seguir testando alternativas, sejam táticas ou em termos de nomes.
O jogo
A primeira boa chance do amistoso aconteceu aos 9min, através da
seleção da casa, quando Barnetta tabelou na intermediária e bateu
forte de longe, para a boa defesa de Hélton. O meia voltou a
finalizar contra o gol brasileiro dois minutos depois, após rebote
de Juan. A bola acabou passando acima do travessão.
Aos 21min, o Brasil conseguiu uma jogada de contra-ataque, iniciada
por Robinho. Mas Kaká, no momento da finalização, acabou desarmado.
Mas, logo em seguida na cobrança de escanteio a equipe de Dunga
conseguiu abrir o placar. Elano cruzou fechado pela direita, e
Luisão desviou de cabeça para marcar.
Ainda antes do intervalo o Brasil conseguiu ampliar a vantagem no
placar, graças ao instinto de oportunismo de Kaká. Aos 34min, depois
de um erro grotesco do goleiro Zuberbühler, que chutou em cima do
zagueiro Djourou em uma saída de jogo, o meia da seleção tomou a
posse de bola e só teve o trabalho de empurrar para as redes.
No segundo tempo, a seleção quase marcou o terceiro gol um nova
cobrança de escanteio, quando Maicon desviou, e Juan teve a
finalização travada.
Aos 15min, Ronaldinho Gaúcho entrou na equipe no lugar de Robinho.
Em seu primeiro lance no jogo, o astro do Barcelona acionou Kaká,
que acertou a trave. No entanto, a arbitragem anulou a jogada,
assinalando impedimento.
A Suíça descontou aos 24min, quando o lateral Maicon, após uma bola
alçada na área brasileira, se antecipou a Hélton e desviou de cabeça
contra o próprio gol. Em seguida, o time local passou a dominar o
jogo e a pressionar os visitantes, que se agüentaram como puderam na
defesa para segurar a vitória.
SUÍÇA 1 x 2 BRASIL
Suíça
Zuberbühler; Lichtsteiner (Ingler), Senderos, Djourou (Müeller) e
Magnin; Vogel (Dzemaili), Barnetta, Cabanas (Yakin) e Vonlanthen (Degen);
Streller (Margairaz) e Frei
Técnico: Jakob Kuhn
Brasil
Hélton; Maicon, Luisão, Juan e Adriano; Dudu Cearense (Daniel
Carvalho), Fernando (Tinga), Elano (Diego) e Kaká; Robinho (Ronaldinho
Gaúcho) e Rafael Sobis (Ricardo Oliveira)
Técnico: Dunga
Data: 15/11/2006 (quarta-feira)
Local: Estádio Saint Jakob, em Basiléia-SUI
Juiz: Markus Merk (ALE)
Cartões amarelos: Frei e Lichtsteiner (SUI)
Gols: Luisão, aos 21min; Kaká, aos 34min do primeiro tempo;
Maicon (contra), aos 24min do segundo tempo |