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Amistosos da Seleção 2004
Seleção ignora Lula e goleia o
Haiti
18/08/2004
PORTO PRÍNCIPE -
A seleção
brasileira não atendeu ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e goleou o Haiti por 6 a 0, em amistoso disputado na tarde
desta quarta-feira, em Porto Príncipe. O jogo foi atípico e marcou
uma nova etapa no processo de pacificação do país mais pobre da
América Central. Duas semanas atrás, Lula confidenciara ao
presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo
Teixeira, que não seria conveniente para a seleção vencer os
anfitriões por um placar mais amplo. Mas o aviso não chegou a
Ronaldinho Gaúcho, autor de três gols – um deles, após driblar cinco
adversários.
Lula acompanhou a partida num camarote do Estádio Sylvio Cator,
reformado às pressas para receber a seleção pentacampeã do mundo. O
gramado sintético não chegou a atrapalhar o desempenho da equipe
brasileira, prejudicada sim pelo forte calor na capital do Haiti. O
público lotou o estádio com bandeirinhas do Brasil e vibrava com
cada jogada de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos.
O primeiro parecia cansado, chegou a chutar uma bola na trave,
mas sua passagem por Porto Príncipe acabou valendo mais pela doação
de R$ 600 mil – dinheiro que será empregado no combate à fome no
Haiti.
Se Ronaldo não aparecia muito bem, o meia Roger, do Fluminense,
surpreendia. Ele foi convocado à última hora e se destacou no
amistoso. Fez dois gols, em bons passes de Ronaldo, e supriu a
ausência de Kaká. Com o belo gol de Ronaldinho Gaúcho, o placar do
primeiro tempo foi de 3 a 0. Motivos havia para supor que a seleção
voltaria mais disposta depois do intervalo. Como o técnico Carlos
Alberto Parreira deu oportunidade a vários novatos, eles queriam
marcar presença.
O jovem Nilmar, do Internacional, entrou na vaga de Ronaldo. Como
haveria de se conter no Jogo da Paz se fazia sua estréia na seleção
principal? Acabou fazendo um gol, numa ótima arrancada. Magrão, do
Palmeiras, substituiu Edu e também atuou com disposição. Enquanto
isso, Ronaldinho Gaúcho continuava desobedecendo Lula.
Numa cobrança de falta, ele contou com a ajuda do goleiro Max e
marcou seu segundo gol na partida. Depois, aproveitou toque de bola
perfeito de Juninho Pernambucano para fazer outro. Os haitianos
aplaudiam todos os lances. Estavam ainda esperançosos de que
poderiam vazar a meta do Brasil pela primeira vez na história. Na
única vez em que haviam se enfrentado, o Brasil vencera por 4 a 0,
num amistoso, em 1974.
Parreira fez várias alterações e levou a campo os 18 atletas
convocados. Do alto do camarote, Lula assistia à partida com atenção
e, no final, ainda teve tempo para aplaudir Fernando Henrique – o
goleiro do Fluminense, que entrou no segundo tempo na vaga de Julio
Cesar, do Flamengo, e evitou o gol histórico do Haiti em duas
situações, aos 41 e 46 minutos, com defesas seguras.
LULA - No estádio, Lula foi ao vestiário cumprimentar os
jogadores, junto com o presidente do Haiti, Boniface Alexandre, e
recebeu uma camisa de presente dada pelo jogador Roberto Carlos.
Pelo menos 150 mil pessoas pelas contas da segurança estavam nas
ruas aguardando a seleção brasileira.
HAITI O x 6 BRASIL
Data: 18/8/2004 (quarta-feira) - Amistoso Internacional
Local: Estádio Sylvio Cato, em Porto Príncipe
Árbitro: Paulo César de Oliveira (Brasil)
Haiti
Max (Silvat); Dellamy, Pierre, Wadson e Pequero; Descouines (Coisecon),
Bourcicaut, Bruny e Gilly; Fleury e Desir.
Técnico: Fernando Clavijo
Brasil
Júlio César (Fernando Henrique); Belletti, Juan (Cris), Roque Júnior
e Roberto Carlos (Adriano); Gilberto Silva (Renato), Edu (Magrão),
Juninho Pernambucano e Roger (Pedrinho); Ronaldinho e Ronaldo (Nilmar)
Técnico: Carlos Alberto Parreira
Cartões amarelos:Coisecon
Gols:Roger, aos 19 minutos, Ronaldinho, aos 32 minutos, e
Roger, aos 41 minutos, no primeiro tempo, e Ronaldinho, aos
21minutos, e Nilmar, aos 40 minutos, no segundo tempo
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