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Vexames
Brasil 1 x 0 França
Sem mágica, sem tática, sem fôlego, sem craque, sem time, sem
raça, sem desculpas.
Brasil perde para França, acaba
com o sonho do hexa e sai pela porta dos fundos.
A Seleção Brasileira está fora da Copa do
Mundo da Alemanha. A equipe treinada por Carlos Alberto Parreira
perdeu por 1 x 0 para a França, neste sábado (1/07/2006), em Frankfurt. O gol
foi marcado por Henry, aos 11 minutos do segundo tempo.
O resultado mostra o péssimo retrospecto do Brasil diante dos
franceses em Copas. Apesar da derrota por 5 x 2 nas semifinais de
1958, a França levou a melhor nos três confrontos seguintes: nas
quartas-de-final de 1986, nos pênaltis; na final de 1998 e agora.
Como há oito anos, havia dois monstros do futebol em campo, Zidade
de um lado, Ronaldo do outro. Como naquele 12 de julho de 1998 no
Stade de France, um deles apagou, o outro liderou como um general
classudo a sua equipe à vitória.
De novo, a França ganhou do Brasil na Copa. Desta vez em Frankfurt,
nas quartas-de-final. E só por 1 a 0. O passeio francês, porém, foi
igual.
Mas - e aí é tudo muito diferente daquele dia -, o Brasil que viu a
França passear não sofreu com crise nervosa de Ronaldo, tinha em
campo a geração mais talentosa dos últimos anos (entre eles um
terceiro monstro, Ronaldinho, tido como o melhor do mundo), não
jogava contra o país anfitrião.
Perdeu sem ter desculpa.
A França ampliou a vantagem nos confrontos com os brasileiros em
mata-matas de Copas. Além dos 3 a 0 na final de 98, já haviam
despachado a seleção nas quartas-de-final em 1986, nos pênaltis. O
Brasil ganhou só uma vez, em 1958
Um xingamento pode contar a história do naufrágio brasileiro. No
começo do jogo, a torcida brasileira provocou o fora-de-série
francês: Ei, Zidade, vai tomar no c...". Provocou errado.
Zidade, teve exibição de gala e deu o passe para o gol de Henry.
Mais tarde, o mesmo palavrão foi gritado pela torcida contra Carlos
Alberto Parreira, que demorou para atender os pedidos para pôr
Robinho.
A esquadra azul de Zidane pôs a pique uma seqüência recorde de
vitórias seguidas em Copas do Brasil: 11 até ontem (30/06/2006).
O jogo
Com duas alterações em relação ao time que derrotou Gana, Gilberto
Silva e Juninho Pernambucano, nas vagas de Emerson e Adriano, o
Brasil dominou as ações apenas no início do primeiro tempo. Aos três
minutos, Gallas fez falta em Ronaldinho Gaúcho, mas Juninho cobrou a
infração na barreira. No período em que dominavam o encontro, os
brasileiros criaram a única oportunidade real na etapa. Aos 11,
Ronaldinho Gaúcho bateu falta pelo lado direito e Ronaldo cabeceou
alto, desequilibrado.
A partir dos 15 minutos, a França passou a tocar a bola com
categoria, comandada por um Zidane inspirado. Foi neste momento que
Ribery aproveitou um rebote e concluiu alto. O Brasil deu o troco.
Ronaldo saiu da área e tocou para o xará na direita e o melhor do
mundo cruzou, mas Kaká não chegou.
Os craques do Brasil não conseguiam criar jogadas. Ronaldinho Gaúcho
a rigor não era um atacante, ao lado de Ronaldo, e sim um quinto
meia, pois constantemente voltava para buscar o jogo. Kaká, por sua
vez, fazia a pior partida na Copa, errando passes em demasia.
Aos 26, Zidane fingiu que bateria uma falta na área e tentou
direito, mas a bola saiu por cima, sem perigo ao gol de Dida, que
não fez uma defesa sequer no primeiro tempo, assim como o francês
Barthez. Ambos se limitaram a cortar cobranças de escanteios. Aos
37, nova falta para a França: Zidane levantou e Malouda, sozinho,
cabeceou mal, muito alto.
O maior susto contra o Brasil aconteceu aos 44. Zidane fez jogada
espetacular, driblou três brasileiros e deixou Vieira livre, em
rápido contra-ataque. Juan foi obrigado a fazer uma falta violenta e
recebeu cartão amarelo, mas o árbitro espanhol Medina Cantalejo
poderia ter o expulsado, se estivesse em um dia mais rigoroso. A
falta perigosíssima foi cobrada por Henry. Ronaldo estava na
barreira, saltou com os braços altos e o juiz marcou falta,
advertindo Ronaldo com um amarelo. O atacante brasileiro estava
dentro da área, mas Cantalejo assinalou como se tivesse sido fora.
Zidane cobrou e a bola bateu na barreira.
O panorama não mudou na etapa final. Aos 40 segundos, Zidane bateu
falta e Vieira cabeceou sozinho, rente à trave direita de Dida. Aos
dois, Ronaldinho Gaúcho cruzou, Barthez falhou, mas ninguém do
Brasil aproveitou. Aos sete, a França apareceu de novo. Sagnol tocou
para Henry, que deixou de calcanhar para Vieira, mas Juan, um
gigante, salvou. Aos 11, porém, não teve jeito. Zidane cobrou a
enésima falta pelas laterais, a zaga brasileira falhou e Henry bateu
de chapa: 1 x 0.
Por pouco os franceses não ampliaram aos 16, quando Ribery driblou
Lúcio e cruzou. Juan tentou cortar e quase fez contra. A bola passou
perto da trave esquerda de Dida. Aos 18, Parreira mudou e tirou
Juninho Pernambucano, que nada fez, e colocou Adriano, voltando com
o “quadrado mágico“. Aos 25, um contra-ataque rápido da França,
Henry, que estava no mano a mano com Lúcio, tocou para Ribery, mas
Dida salvou.
Parreira, que parecia atônito no banco de reservas, trocou Cafu por
Cicinho, aos 31. Na mesma hora, Raymond Domenech trocou Ribery por
Govou. Aos 33, Robinho entrou e Kaká, incrivelmente mal, saiu. Aos
35, o Brasil chegou depois de muito tempo: Ronaldinho Gaúcho tocou
de cabeça e Robinho chutou mal, de canhota. Domenech sacou Malouda e
colocou Wiltord.
Aos 39, Zé Roberto rolou e Ronaldo arriscou seu primeiro chute no
jogo, à esquerda de Barthez. Um minuto depois, Henry saiu e Saha
entrou na partida. Aos 42, Ronaldo cavou uma falta na entrada da
área, saltando na chegada de Thuram: Ronaldinho Gaúcho bateu por
cima. Ronaldo ainda chutou uma bola que Barthez defendeu aos 45. E
na jogada seguinte, Zé Roberto não alcançou um cruzamento de Cicinho.
E foi só.
FICHA TÉCNICA
BRASIL 0 X 1 FRANÇA
- Quartas-de-Final
Data: 01/07/2006 (Sábado)
Local: Estádio de Frankfurt (ALE)
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitro: Luis Medina Cantalejo (ESP)
Assistentes: Victoriano Giraldez Carrasco (ESP) e Pedro
Medina Hernandez (ESP)
Brasil
Dida, Cafu (Cicinho), Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Gilberto Silva,
Zé Roberto, Juninho Pernambucano (Adriano) e Kaká (Robinho);
Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo.
Técnico: Carlos Alberto Parreira
França
Barthez, Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal; Makelele, Vieira, Malouda
(Wiltord), Ribery (Govou) e Zidane; Henry (Saha).
Técnico: Raymond Domenech
Cartões Amarelos: Cafu, Juan, Ronaldo e Lúcio (BRA). Sagnol,
Saha e Thuram (FRA)
Gol: Henry aos 11 minutos do segundo tempo
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