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SELEÇÃO BRASILEIRA

Jogos Inesquecíveis - Para lembrar

 

2/7/1982

Brasil 3 x 1 Argentina

Estádio Sarriá, Barcelona-Espanha

 

Um baile na Argentina

 

Um verdadeiro baile.

Não que o adversário, então campeão do mundo, tenha jogado tão mal! É que aquele time, com Falcão, Sócrates, Zico e Cerezo no meio-campo, era irresistível.

 

Ah, os 3 x 0 contra a Argentina, diminuídos para 3 x 1 num lance casual! Os lenços brancos eram sacudidos pela multidão vestida de verde e amarelo, todos cantavam samba e a bola, enfeitiçada, magnetizava-se naquelas onze chuteiras encantadas. O estupendo, o cruel Passarella acertava traiçoeiro as canelas de Serginho e Zico, que rolava de dor à beira do campo, mas lá em cima estavam registrados, como a resposta brasileira, um, dois, três gols. E Maradona, o grande, o frágil Dieguito Maradona, depois de um lance selvagem em cima de Batista, curvara o corpo para trás ao ver que, ao invés das glórias com que sonhara, era um cartão vermelho que aparecia à sua frente. Cabeça baixa, barba por fazer, meias semi-arriadas, a camisa meio para fora do calção, lá se ia ele a descer para o escuro túnel da derrota.

 

"Perdemos para los campeones", consolavam-se os argentinos. Rendidos aos gols de Zico, Serginho e Júnior, humilhados diante do poder futebolístico de Falcão, Sócrates e Cerezzo.

 

Com oito de diferença, escutava-se novamente a frase que tinham pronunciado na Alemanha, quando os holandeses os golearam por 4 x 0 e despontaram como uma seleção irresistível.

 

De um ponto de vista exclusivamente técnico, frio e objetivo, pode-se afirmar que, tal como ocorreu no episódio das Malvinas, a Argentina costuma falhar nas suas avaliações. De um outro ângulo, entretanto, é correto dizer que, na Alemanha como na Espanha, ela acertou no vaticínio. Se os campeões, afinal, não são os morais, e sim os de fato - a Alemanha em 1974, não se sabia ainda quem em 1982 -, não é menos verdade que, no futebol, há os times que ficam.

 

E não há como fugir à comparação entre Holanda de ontem e o Brasil de hoje, ambos determinados na crença de que o futebol é, tanto quanto competição, um incomparável espetáculo.

 

Foi exatamente essa a contribuição da Seleção Brasileira para o futuro do futebol. "Fizemos o que deveria ser feito", resumia Telê seus dois anos de trabalho, "e desejo sinceramente que, de agora em diante, com a ajuda de técnicos, de jogadores, da imprensa e da torcida, façamos sempre a bola correr dentro de campo".

 

FICHA TÉCNICA

 

Jogo Nº 654 da Seleção Brasileira


Brasil 3 x 1 Argentina
Copa do Mundo da Espanha 1982

Local: Estádio Sarriá
Cidade: Barcelona (Espanha)

Público: 44.000 pessoas
Árbitro: Mario Rubio Vasquez (México)


Brasil: Valdir Peres, Leandro (Edevaldo), Oscar, Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo e Falcão; Zico (Batista), Serginho, Sócrates e Éder.

Técnico: Telê Santana

 

Argentina: Fillol, Olguin, Gálvan, Passarella e Tarantini; Barbas, Ardiles e Kempes (Ramón Díaz); Bertoni (Santamaria), Maradona e Calderón

Técnico: Cesar Luis Menotti


Gols: Zico, Serginho, Júnior e Passarella.

Cartões Amarelos: Waldir Peres, Falcão, Éder e Passarella.

Expulsão: Maradona

 

 

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