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SELEÇÃO BRASILEIRA

Jogos Inesquecíveis - Para lembrar

 

7/7/1998

Brasil 1 x 1 Holanda

Estádio Vélodrome, Marselha-França

 

Para sempre Taffarel

 

Foi um jogo não recomendável para cardíacos. O Brasil começou mal, se transformou na prorrogação, mas só se garantiu nos pênaltis.

 

 

 

Depois de fazer um milagre no tempo normal, o goleiro brasileiro virou herói na decisão por pênaltis. Defendeu dois na vitória que levou o Brasil para a final da Copa.

 

 

 

No roteiro de uma semifinal heróica, o papel principal deveria ser de um carequinha. E parecia que seria mesmo. Aos 30 segundos do segundo tempo, Ronaldinho fez e o gol redentor. Isso até o vilão holandês Kluivert estragar tudo a 4 minutos do final da partida.

 

Era a hora de trocar o herói.

 

Após uma prorrogação dramática, um louro, que há anos representa o papel de vilão, se candidatou ao papel. Taffarel pegou dois dos quatro pênaltis holandeses e colocou o Brasil na decisão. Foi a nossa sexta final em 16 Copas do Mundo. O Brasil conquistou em 1958, 1962, 1970 e 1994. Perdeu em 1950. "Hoje ganhamos a batalha, mas a guerra não está vencida", disse Taffarel, com os olhos encharcados de lágrimas.

 

Foi, de fato, uma batalha duríssima. Mas a vitória de 4 x 2 (os gols de pênaltis do Brasil foram marcados por Ronaldo, Rivaldo, Émerson e Dunga) é toda dele. Taffarel acertou o canto dos quatro pênaltis e conseguiu alcançar a bola nas cobranças de Cocu e de Ronald de Boer. "Essa decisão por pênaltis foi ótima para o Taffarel", elogiou Zagallo. "Ele já tinha sido muito criticado".

 

A atuação impecável do goleiro contrastou com uma atuação irregular do resto do time. O primeiro tempo foi ruim e a Holanda esteve mais perto do primeiro gol. O capitão Dunga precisou entrar em ação. Passavam 28 minutos do primeiro tempo quando Ronaldo desperdiçou um contra-ataque precioso.

 

- P..., Ronaldo! Vamos correr direito - gritou Dunga, imitando o jeito desengonçado de o atacante correr.

 

A ficha pode ter demorado um pouco para cair. Mas caiu. O Brasil acordou.

Logo no começo do segundo tempo Ronaldo mostrou que estava mais aceso ao se antecipar ao lateral Cocu e desviar do goleiro Van der Sar. Um gol não fez o Brasil dominar a partida, muito menos dar show. A seleção talvez tenha feito o seu pior jogo na competição depois da derrota para a Noruega na primeira fase.

Mesmo ganhando de 1 x 0, a equipe não entrou nos eixos. O gol de empate holandês, a bem da verdade, foi um castigo.

 

O Brasil fez nos 30 minutos de prorrogação tudo aquilo que tinha deixado de fazer nos 90 minutos de tempo normal. Teve pelo menos oito chances de gol, contra um único lance de Kluiver. Vieram os pênaltis e a vitória.

 

A tensão de Brasil e Holanda já podia ser medida bem antes. "O Brasil é Tetra e não precisa copiar a tática de ninguém. Eles é que precisam copiar o Brasil", esbravejou Zagallo no domingo. No dia seguinte, perguntado sobre a força do ataque holandês, Zagallo pareceu esnobar. "Como o habilidoso e rápido ataque dinamarquês, acho que não vamos encontrar mais nessa Copa". É claro que não passava de bravata. Zagallo viu vários teipes da Holanda e estava mais que avisado de que a pedreira era grande.

 

FICHA TÉCNICA

 

Jogo Nº 967 da Seleção Brasileira


Brasil 1 x 1 Holanda - Copa do Mundo de 1998 (Semifinal)
Local: Vélodrome
Cidade: Marselha (França)
Árbitro: Ali Bujsaim (Emirados Árabes Unidos)

Público: 54.000 pessoas

Brasil: Taffarel, Zé Carlos, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Leonardo (Émerson) e Rivaldo; Bebeto (Denílson) e Ronaldinho.

Técnico: Zagallo

 

Holanda: Van der Sar, Reiziger (Winter), Stam, Frank de Boer e Cocu; Jonk (Seedorf), Davids, Ronald de Boer e Zenden; Bergkamp (Van Hooijdonk) e Luivert.

Técnico: Guud Hiddink


Gols: Ronaldinho e Kluivert


OBS: Na prorrogação, 0x0 e nos pênaltis, Brasil 4x2.

 

 

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