|
Jogos Inesquecíveis - Para lembrar
17/7/1994
Brasil 0 x 0
Itália
Estádio Rose Bowl,
Pasedena-EUA
Tudo é festa, tudo é tetra
Certo, os italianos acabaram com Brasil em 1982.
Mas
o troco veio mais do que dobrado,. Triplicado, quadriplicado: fomos
tetra em cima deles.
Em um espetáculo de
outro planeta, o astro Romário e seu cometas vencem as estrelas
italianas e italianas e levam a Seleção Brasileira a dominar o
futebol do Século XX.
Quase
cem mil terráqueos tiveram o privilégio incomparável de assistir ,
naquele domingo 17 de julho, nas arquibancadas do Rose Bowl, em Los
Angeles, ao maior choque da história. Pouco menos de 24 horas antes,
o planeta Júpiter havia sido espetacularmente abalroado por um
cometa desgovernado, causando uma explosão de milhares de vezes
maior que o de uma bomba atômica. Nada comparável, no entanto, ao
impacto causado pelo astro e artilheiro Romário e seus cometas numa
Itália compreensivelmente assustada.
A
proporção do jogo era mesmo planetária. Estava em disputa o primeiro
título de tetracampeão mundial e a hegemonia no Século XX. E a
partida demoraria um século e um segundo. Já dizia o falecido
técnico irlandês Bill Schakley que "o futebol evidentemente não é
uma dessas coisas mais importantes de nossas vidas - é a mais
importante".
E era
exatamente disso que se tratava ali: a partida mais importante da
vida dos dois países que mais amam o futebol no mundo. Só tinha que
dar Brasil e seu futebol que os europeus insistem em considerar de
outra galáxia.
A
Itália entrou disposta a queimar todas as suas cartas. Baresi e
Roberto Baggio, sem as melhores condições físicas, foram para o
sacrifício que o jogo merecia, mas é o Brasil que vive o primeiro
drama: Jorginho se machuca depois de sua melhor jogada e sai aos 20
minutos, dando lugar a Cafu (o plano de Parreira era de
eventualmente usar Cafu para o lugar de Mazinho no segundo tempo).
Até ai Mauro Silva fazia uma partida espetacular, Romário tivera uma
chance cabeceando, Bebeto outra ainda mais clara e Massaro chutara
para Taffarel defender cara a cara, nada comparável à furada de
Mazinho no rebote de uma falta bem cobrada por Branco, quando
Romário e Bebeto só esperavam para abrir o marcador.
Era um
primeiro tempo quase solene, de muito respeito e com o Brasil
melhor. O juiz húngaro Sandor Puhl só marcava faltas contra o Brasil
e o paraguaio Venancio Zarate não assinalava os impedimentos do
Brasil. O Mazinho do fim da Copa era o Zinho do começo e Arrigo
Sacchi Mussi, põe Apolloni para marcar Romário e devolve Maldini à
lateral-esquerda, sua posição de origem. Roberto Baggio está
preocupantemente sossegado e Baresi mostra porque é um dos maiores
zagueiros do mundo, orientando e até levando a Itália à frente.
Fosse uma luta de boxe e o Brasil teria ganho no primeiro tempo por
pontos. Mas não era. Era o Jogo do Século.
Recomeça o duelo de titãs, disputado palmo a palmo no gramado, uma
verdadeira guerra de posições, embora com cavalheirismo e quase
sempre só entre as duas linhas intermediárias do campo. A iniciativa
é toda brasileira, mas não como numa briga de gato e rato - como
fora Brasil e Suécia. É o leão contra o tigre, briga de bicho
grande, nenhum pode bobear. Aos 30 minutos, Pagliuca bobeia num
chute de Mauro Silva, mas a danada da trave evita uma injustiça com
o belo goleiro. Ah! como queríamos essa injustiça, Itália!
O Jogo
é lá e cá, mais lá do que cá, na verdade, e a prorrogação se
aproxima, como se o Jogo do Século precisasse de todo tempo do
mundo. Jamais, nas 14 Copas anteriores, nenhuma final acabou 0 x0.
Tinha que ser essa.
Noventa e três minutos do Jogo do Século, sim 93. Bebeto desperdiça
uma chance de diamante e Pagliuca e Apolloni salvam o rebote de
Romário. Aos 96, Roberto Baggio obriga Taffarel a fazer uma defesa
de ouro. Aos 99, é Pagliuca quem salva o tiro cruzado de Zinho.
Viola, o predestinado corintiano, entra no lugar de Zinho para o
segundo tempo da prorrogação. O Brasil ainda quer ganhar e põe em
campo, além do mais, um jogador que também bate pênalti. Viola entra
feito fera. Aos 109, Cafu deixa Romário na cara do gol e o gol não
acontece. Aos 111, é viola quem faz tudo, dá para Romário e Baresi -
o melhor em campo ao lado de Mauro Silva - salva na hora H.
Aos
113, Roberto Baggio e Taffarel. Taffarel ganha. Cento e dezesseis,
Baresi corre atrás de Viola e cai numa cãibra só... Sai de maca,
heróico. O Jogo do Século termina com o segundo 0 x 0 da Copa dos
Estados Unidos. Que ironia, mas que 0 x 0.
Iríamos aos pênaltis novamente contra um time de camisa azul, como a
França em 1986. Baresi na primeira cobrança, que injustiça!, bota a
bola em órbita. E como nós queríamos essa injustiça, Itália! Lembra
da de 1982? Agora é Márcio, por todos os santos, e Pagliuca. Dá
Pagliuca. Que pena! Albertini, 1 x 0. Romário, que não bate pênalti,
bate! 1 x 1. Evani, 2 x 1.
Lá vem
o Branco. Contra a França, em 1986, no México, ele fez. E fez de
novo! 2 x 2. Massaro e Taffarel. TAFFAREL!!!!
Dunga,
o capitão que vai erguer a taça. DUUUnga! Roberto Baggio em
órbita!!!!! que outra injustiça maravilhosa! Só existe um
tetracampeão na face da Terra! E como foi justo! O Brasil merecia.
FICHA TÉCNICA
Jogo Nº 872 da
Seleção Brasileira
Brasil 0 x 0 Itália - Final
Competição: Copa do Mundo dos Estados Unidos 1994
Local: Estádio Rose Bowl
Cidade: Los Angeles (Estados Unidos)
Público:
94.194 pessoas
Árbitro: Sandor Puhl (Hungria)
Brasil: Taffarel, Jorginho (Cafu), Aldair, Márcio Santos e
Branco; Dunga, Mauro Silva, Mazinho e Zinho (Viola); Bebeto e
Romário.
Técnico:
Carlos Alberto Parreira
Itália:
Pagliuca, Mussi (Apolloni), Baresi, Maldini e Benarrivo; Dino Baggio
(Evani), Donadoni, Berti e Albertini; Roberto Baggio e Massaro.
Técnico:
Arrigo Sachi
Cartões Amarelos:
Mazinho, Apolloni, Albertini e Cafu
OBS: Na prorrogação, 0x0 e nos pênaltis, Brasil 3x2.
Pelo Brasil
marcaram Romário, Branco e Dunga. Márcio Santos perdeu.
Pela Itália,
marcaram Albertini e Evani. Perderam Baresi, Massaro e R. Baggio.
Brasil
tetracampeão mundial... |