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Agora “embaixador”, Zé Roberto
desabafa
6/07/2006 Genebra (AE) -
Menos de uma semana depois da eliminação do Brasil na Copa do Mundo,
começam a surgir os primeiros sinais de desabafos de jogadores.
Ontem, Zé Roberto e Lúcio estiveram em Genebra e foram escolhidos
pela ONU para serem os novos embaixadores da entidade contra a
pobreza. Entre uma reunião com diplomatas e viagens, Zé Roberto
falou.
O jogador, que não atuará pelo Bayern de Munique na próxima
temporada, garante que está com sua consciência limpa por sua
atuação na Copa, mas alerta: não sabe se outros jogadores da seleção
podem dizer o mesmo. Zé Roberto ainda aponta que seu desempenho no
mundial valorizou seu passe, mas deixou claro que os jogadores que
desapontaram na Alemanha podem ter uma desvalorização de 10% a 20%
em seus novos contratos de imagem ou com seus clubes.
Agência Estado - Você, ao lado de Lúcio, foi escolhido pela ONU
para ser o novo embaixador contra a pobreza, cargo que até agora era
ocupado apenas por astros como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká.
Você sente que isso é um reconhecimento de seu trabalho também na
seleção?
Zé Roberto - Certamente. É um reconhecimento de minhas ações
sociais no Brasil, mas também de meus esforços em campo. Sinto-me
honrado com o convite e já o aceitei. Vamos agora estudar o que
poderei fazer no Brasil para incrementar os trabalhos contra a
pobreza que já possuo. Sei que posso fazer muito pelo meu País
também fora do campo.
AE - Mas diante do péssimo
desempenho do Brasil na Copa, você acha que outros jogadores da
seleção terão as mesmas possibilidades e convites?
Zé Roberto - A Copa do
Mundo é a principal vitrine para um atleta. Eu acho que os jogadores
que não foram bem podem esperar uma queda de 10% à 20% de seus
valores e de seus contratos de imagem no mercado. Por exemplo, se um
jogador tem um contrato de 10 milhões de euros e está no momento de
renová-lo, ele certamente não conseguirá o mesmo valor se seu
desempenho na Copa do Mundo não foi dos melhores. Os contratos de
publicidade também podem ser afetados nessa mesma proporção.
AE - Você teme que isso
ocorra com você?
Zé Roberto - Esse não foi
o meu caso. Pelo contrário. Acho que tive uma valorização. Estou com
ofertas de clubes da Inglaterra, França e Espanha. Ainda não posso
revelar quais são os clubes, pois ainda estou negociando. Mas vou
tomar uma decisão em breve.
AE - E quanto à seleção,
você espera retornar à equipe?
Zé Roberto - Prefiro ainda
não falar sobre meus planos para a seleção, inclusive porque nem sei
quem será o técnico, se Carlos Alberto Parreira fica de alguma
forma. Ainda estou chocado com tudo que ocorreu e muito frustrado
com a perda do título. Quero definir primeiro minha vida e em que
clube vou jogar para depois pensar na seleção.
AE - Como você avalia o
desempenho de seus colegas na seleção?
Zé Roberto - Não vou
crucificar meus colegas. Não vou dizer se um dos jogadores correu
menos ou coisa do tipo. Mas acho que cada um deve ter a consciência
do que fez na Copa. Eu fiquei muito triste com a eliminação e não
consegui dormir na primeira noite. Mas depois fiquei mais tranqüilo,
pois fiz o meu melhor e fui reconhecido por isso. Fui eleito duas
vezes o melhor jogador das cinco partidas do Brasil. Eu estou com a
consciência limpa. Não sei se outros jogadores podem dizer também
que tem a consciência limpa após a Copa. |