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Mundial Alemanha 2006

Clima de tensão domina jogadores e Parreira

 

19/06/2006

 

BERGISCH GLADBACH - Apesar da classificação garantida e de todos os jogadores e o técnico Carlos Alberto Parreira garantirem que o time segue em rota de evolução, o que se viu durante o treino dos reservas na segunda-feira foi um punhado de gente séria: nenhuma brincadeira entre jogadores e o treinador caminhando sempre de cabeça baixa, sem conseguir esconder a preocupação no rosto.

 

Em tese, Parreira só deveria estar pensando se vai manter o time titular ou se escala os reservas para atuar contra o Japão, na quinta-feira, na última rodada do Grupo F. Seria portanto uma discussão só para saber quantos reservas devem atuar, já que ele deixou evidente que alguns serão chamados para começar jogando.

 

Mesmo assim, ele pareceu bastante tenso no dia seguinte à vitória por 2 x 0 sobre a Austrália, que garantiu a classificação da equipe às oitavas-de-final da Copa.

 

Parreira tinha o rosto quase tão fechado como no primeiro tempo do jogo contra a Austrália, quando reclamou muito de seus atletas, principalmente da turma do quadrado mágico - Adriano, Ronaldo, Ronaldinho e Kaká.

 

Mesmo entre os reservas, o ambiente estava tenso. Robinho e Fred, campeões de brincadeiras nos treinos, mal se falaram e não comemoraram um gol sequer na pelada que encerrou o treino com bola.

 

De longe, parece que a tensão para saber quem vai entrar jogando contra o Japão está tendo um impacto no astral dos candidatos. E como o dia ainda estava chuvoso, a impressão de baixo astral no campo era evidente.

 

Fred ainda tinha mais assunto para ficar contente: falar do seu primeiro gol em Copas. Mesmo assim, não tinha como escapar da conversa de uma possível promoção a titular, nem que seja só por um jogo. O problema no seu caso é saber quem ele poderia substituir.

 

"Adriano, Ronaldo ou Robinho, não dá para escolher, são três jogadores que desequilibram", disse ele, reiterando que quer jogar como todo mundo e que só o técnico Parreira tem a chave que dá acesso ao time titular.

 

Fred disse que mal dormiu na noite do seu primeiro gol em Copas e que, apesar de não ter conseguido levar a bola do jogo assinada por todos os colegas para seu pai, não ficou chateado. Depois repetiu a frase que disse após a partida.

 

"Foi um momento mágico, momento de euforia. A gente não sabe o que faz numa hora dessa. Mas agora é hora de continuar trabalhando para ajudar a seleção a conquistar o título", disse ele.

 

Fred se acha iluminado por Deus por ter marcado um gol na estréia em Copas, como já tinha marcado em suas estréias como profissional, no América, no Cruzeiro e no Lyon. Ele está nas nuvens, num astral que parece ser único neste momento da seleção. O resto do time ou curte uma ressaca pela segunda vitória, ou está sem conseguir esconder a tensão.

 

 

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