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Mundial Alemanha 2006

Ronaldo reclama da imprensa

 

9/06/2006
 

Numa cena parecida com o desabafo que fez há alguns meses em relação às vaias recebidas da torcida do Real Madrid, o atacante Ronaldo desta vez pediu respeito à imprensa brasileira, que, segundo o craque, vem dando muita importância a pequenos problemas e pouca atenção ao fato de ele ser um ídolo nacional e estar prestes a quebrar recordes mundiais.
 

Desde que se apresentou à seleção brasileira no dia 22 de maio, na cidade suíça de Weggis, Ronaldo se viu envolvido em questões como seu suposto excesso de peso, as bolhas que o tiraram de campo no amistoso contra a Nova Zelândia e o estado febril que o afastou do treinamento desta quinta-feira.
 

Em entrevista à imprensa nesta sexta-feira, antes do treino da tarde, o Fenômeno mostrou irritação com a dimensão da repercussão dos fatos na imprensa brasileira.
 

"Mereço muito mais respeito pelo meu currículo dentro da seleção brasileira, estou prestes a quebrar um recorde importante. Faltou respeito. É normal que tenha chegado um pouco acima do peso, insistem que isso é um problema. Não interessa isso para ninguém, não interessa isso para o povo, isso é uma besteira, o que interessa se o jogador chegará ao Mundial um quilo acima do peso?", perguntou o craque.
 

Ronaldo chega à Copa do Mundo da Alemanha com 12 gols em Mundiais (mesmo número de Pelé), dois a menos que o alemão Gerd Muller, recordista com 14.
 

"Não tenho nada a reclamar da minha vida. É que há três anos ficam falando essa besteira (do peso). Não tenho que pagar um preço pelo que sou, nunca vi disso", disse ele, depois de ser perguntado de estava cansado com a condição de ídolo.
 

Ainda sobre a questão do peso, Ronaldo disse ser "muito complicado saber qual é o peso ideal, que o jogador se sente bem. É preciso juntar o percentual de gordura com a massa muscular".
 

O craque garantiu que se sente "bem" para a estréia da seleção brasileira na Copa do Mundo, dia 13, contra a Croácia, mas que vê espaço para crescer ao longo da competição.
 

"Chego num estágio bom, ciente de que há espaço para uma melhora. Contente com a evolução que tive neste período de treinamento".

 

O craque comentou ainda o fato de o presidente Lula ter mencionado seu suposto excesso de peso na videoconferência realizada na quinta-feira, da qual Ronaldo não participou por causa de uma virose: "Até o presidente pode cair nessa má influência da imprensa".
 

Sobre as bolhas no pé, que o fizeram ser substituído no intervalo do jogo contra a Nova Zelândia (4-0 Brasil), Ronaldo disse ser normal.
 

"Não vejo uma coisa anormal ter uma bolha no pé. A bolha cicatrizou, mesmo que tenha gente que não acredite, que associe a febre à bolha. Fiquei surpreso pela repercussão que teve. Ficou falando-se da bolha durante três, quatro dias. Tudo era bolha, colocando em dúvida minha capacidade por causa de uma bolha", desabafou o jogador.
 

O atacante disse acreditar que os estrangeiros valorizam mais o brasileiro do que os próprios brasileiros, apesar de ter sido a imprensa estrangeira a primeira a noticiar o fato dos jogadores terem ido a discotecas nas duas noites de folga nesse período de preparação.
 

"Só quero respeito. Dizem que no dia de folga os jogadores foram ao bar ou à discoteca. Onde está a notícia nisso? Em 2002, a gente teve folga também e vocês acham que a gente foi para onde? Os brasileiros também criaram uma onda sobre isso. Você não vê isso acontecer com o americano, com o inglês, a imprensa do próprio país defende. O estrangeiro dá muito mais valor ao brasileiro do que nós mesmos", afirmou.

 

 

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