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Parreira dribla torcida ao desembarcar
no Rio
3/07/2006
RIO DE JANEIRO -
O inferno astral do técnico Carlos Alberto Parreira pela eliminação
na Copa do Mundo teve um novo capítulo nesta segunda-feira, quando
ele foi duramente hostilizado pela torcida em seu desembarque no Rio
de Janeiro, mesmo depois de fugir do encontro com o público.
De volta ao
Brasil após a eliminação diante da França nas quartas-de-final do
Mundial, o treinador acabou usando uma outra saída do Aeroporto Tom
Jobim, segundo a Confederação Brasileira de Futebol, por motivos de
segurança.
Os cerca de 200
torcedores, que estavam no local aguardando a chegada, demonstraram
toda a insatisfação com as escolhas do técnico quando o assessor de
imprensa da seleção, Rodrigo Paiva, foi explicar aos jornalistas que
esperavam o desembarque que o técnico já tinha ido embora.
Os insultos
foram especialmente direcionados à insistência do treinador com os
veteranos laterais Cafu e Roberto Carlos. Muitos também citaram a
passividade dele ao lado do campo na derrota para os franceses como
uma demonstração de falta de raça.
"Isso não se faz
com a torcida brasileira. O nosso povo é apaixonado pelo futebol,
mas não foi isso que esse time e o treinador mostraram na Copa",
afirmou o estudante Matheus Finochio, de 16 anos, que foi ao
aeroporto apenas para manifestar sua indignação com Parreira.
Os xingamentos e
vaias continuaram por todo o tempo em que Paiva permaneceu no saguão
do aeroporto. Para os manifestantes, o futuro de Parreira deve ser
longe da seleção, e o favorito para substituí-lo é o comandante do
penta, Luiz Felipe Scolari, que segue com Portugal na Copa do Mundo.
"Ão, ão, ão,
queremos Felipão", entoava em coro um grupo de torcedores baianos
que estavam fazendo conexão no Rio de Janeiro.
"Se ele tivesse
aparecido eu ia dar uma bronca nele, o que ele fez é uma vergonha
para todo o Brasil. Espero que ele perceba e peça demissão logo",
afirmou o professor José Carlos Bastos, de 33 anos.
Junto com
Parreira, o coordenador-técnico Mario Zagallo também driblou a
torcida. Além deles, desembarcaram no Rio o restante da comissão
técnica e o lateral-esquerdo Gilberto, que foi recepcionado com
palmas.
O jogador, que
foi titular e marcou um gol na vitória brasileira por 4 x 1 sobre o
Japão na primeira fase da Copa, confessou que esperava uma recepção
mais áspera, mas que não podia deixar de dar uma satisfação ao povo
brasileiro.
"Sinceramente,
fiquei impressionado com a recepção que eu tive da torcida, não
estava esperando mesmo. Não deu para voltar como campeão, mas do
mesmo jeito que seríamos festejados pela torcida acho que temos a
responsabilidade de encarar o torcedor na hora da derrota", afirmou
ele a repórteres.
Quem também
chegou no mesmo vôo foi o ex-lateral Jorginho, que durante a Copa
trabalhou como comentarista de uma emissora alemã. Ele foi mais um a
criticar a postura passiva da equipe contra os franceses.
"A impressão que
dava é que faltava um líder dentro de campo, alguém para gritar,
para dar bico pra cima. Na hora que o Zidane deu lençol, tinha que
dar um bico nele", afirmou.
"O Roberto
Carlos é um craque, mas você não pode abaixar para ajeitar a meia
numa hora daquela, isso não é permitido nem em pelada."
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