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Mundial Alemanha 2006

É impossível evitar o favoritismo do Brasil

11/06/2006

Infelizmente, ninguém pode evitar o clima de favoritismo que rodeia a seleção do Brasil, ao menos na fase inicial desta Copa de 2006.

Primeiro, por uma questão de tradição - e, num Mundial, o passado pesa bastante. Depois, claro, por uma questão de elenco. Basta imaginar a seguinte cena, na terça-feira, enquanto as equipes do país e da Croácia se perfilarem para os seus hinos: os adversários dos atletas de Carlos Alberto Parreira olham de lado e vêem, em sucessão, astros como Cafu, Roberto Carlos, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Adriano etcetera e tal. Uma relação de assustar.

Pior, para os rivais do Brasil, à sua frente, no banco de reservas de Parreira, se alojam Cicinho, Gilberto, Juninho Pernambucano, Ricardinho, Fred, Robinho, que seriam titulares absolutos em qualquer dos outros 31 times da Copa.

As individualidades à disposição de Parreira, as suas múltiplas possibilidades de substituição, obviamente, também multiplicam as aflições dos rivais. Ou seja, depois das apresentações, no começo do Mundial, de contendores perigosos, no papel, como a Alemanha anfitriã, a Inglaterra, a Argentina, a Holanda, que se exibiram burocraticamente, volta ao cenário, como protagonista, uma frase de antologia: o Brasil só pode perder a Copa para si mesmo.

No caso, não se trata da mística do "já ganhou" que abraça inevitavelmente a seleção de Parreira - um treinador consciente ao ponto de assumi-la, porque é lógico, mas de diminuí-la, aos limites do viável, porque é inteligente. Não.

Os problemas do Brasil têm outras raízes, todas elas extra-campo, em particular aquelas que enredam o Fenômeno, suas chuteiras estratosféricas, suas bolhas, a sua eterna incapacidade de conviver com o próprio sucesso, a sua propensão boboca de não pensar no que dirá - conforme ocorreu no episódio infeliz das suas gordurinhas e da sua reação grosseira a uma frase igualmente azarada e inoportuna do presidente-torcedor Luiz Inácio Lula da Silva.

De todo modo, se o Fenômeno não jogar bem, ainda lhe sobrará a chance de decidir um jogo em um lampejo. Ou de Parreira trocá-lo por Fred, Robinho, ou mesmo Juninho Pernambucano - com o Gaúcho avançado no ataque. Ora, que outro treinador possui tantos trunfos no seu baralho atual? Certamente, nenhum.

Dois adversários em cima do Gaúcho? Sobra Kaká. E vice-versa. O elenco do Brasil é tão profundo, a sua potencialidade tão extensa, que apenas um cataclisma, uma falha de Dida, uma bobagem de Lúcio, uma ofensiva mais destemperada de Roberto Carlos, pela canhota, levará à ruína.

Enquanto isso, Zlatko Kranjkar, o comandante da Croácia, batalha contra as gordurinhas em excesso do seu melhor meio-campista, o filho Niko.

Zico, o carioca que orienta o Japão, padece com uma epidemia de contusões e com a fragilidade da sua retaguarda nos cruzamentos altos sobre a sua meta.

Guus Hiddink, o holandês que supervisiona a Austrália, chegou ao ponto de imitar Parreira e de fazer os seus atletas se exercitarem num gramado reduzido, as traves nas linhas das grandes áreas, de maneira a obrigá-los a se livrarem da pelota, ou da marcação do Brasil, o mais rapidamente possível.

Os pessimistas, como o Dr. Sócrates, acreditam que o Brasil escorregará nos saltos altos - conforme ocorreu com ele & Cia, na Espanha/1982. Uma situação bastante diferente, no entanto, separa o Telê Santana de então do Parreira de hoje. Telê desperdiçou aquele Mundial por teimar no seu preciosismo. Parreira é um obstinado de estirpe diferente. Garante liberdade aos seus craques - mas, se houver necessidade, cerrará os seus ferrolhos. Assim se espera.

 

 

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