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Calmo, Parreira cita falha na marcação
e falta de jogos
1/07/2006
FRANKFURT
- O técnico Carlos Alberto Parreira conseguiu manter a calma na
entrevista coletiva, apesar da derrota para a França por 1 x 0 nas
quartas-de-final da Copa do Mundo e da pressão natural da mídia em
busca de respostas.
"Esse
é um momento para o qual nem eu nem ninguém da delegação estávamos
preparados. Nunca imaginei que deixaria essa Copa nas
quartas-de-final", disse Parreira em entrevista coletiva neste
sábado.
"Dever
cumprido, não, seria chegar à final.
Ficou
faltando alguma coisa e tenho que ser sincero: nunca me preparei
para esse momento, nunca passou pela minha cabeça que não fôssemos
chegar à final. Todos se empenharam, deram seu melhor, foram 40 dias
de trabalho intenso", completou ele.
Parreira tentou descrever a derrota que eliminou o Brasil como um
detalhe de jogo. Ele disse que o time falhou numa jogada de bola
parada, algo que havia sido treinado.
"Bobeamos na marcação em uma bola parada, e infelizmente a gente não
conseguiu colocar o Brasil em mais uma final. A França é um time
tecnicamente muito bom e bem postado no campo, com experiência, fez
a bola rolar, teve mais paciência que a gente e as duas jogadas
aconteceram de bola parada e bola longa no Henry. Na bola parada
acabaram conseguindo", enumerou Parreira.
O
treinador agradeceu os jogadores e, como uma das justificativas pela
derrota, citou a falta de jogos, contradizendo a si próprio - desde
que chegou na Suíça para a primeira fase de treinos, Parreira dizia
que a prioridade do time era descansar os jogadores e não fazer
muitos jogos. Por isso, a comissão técnica marcou apenas dois
amistosos antes da Copa.
"Nós
tivemos dificuldades. Pelo talento que temos faltou um pouco mais de
preparação, parte física, até mesmo o entrosamento. Essa equipe
jogou muito pouco, em oito meses fizemos só um jogo amistoso em
Moscou (contra a Rússia, vitória de 1 x 0, no dia 1 de março), e
pegou talvez uma das equipes mais experientes logo nas
quartas-de-final".
Parreira defendeu as substituições antes do jogo - colocou Gilberto
Silva e Juninho Pernambucano nos lugares de Emerson e Adriano - e a
mudança de esquema da seleção, que desativou o quadrado mágico justo
antes do jogo mais difícil da Copa.
"Acho
que fiz as mudanças certas, só que o time francês se postou atrás. A
mudança acho que foi perfeitamente aceitável, pelo que a Franca fez
no outro jogo. Não me arrependo em nenhum minuto", avaliou o
treinador, que lembrou o fato de Ronaldo ser o maior recordista na
história das Copas com 15 gols.
"Valeu
a pena (insistir com Ronaldo), as três ou quatro melhores jogadas
depois do gol francês foram com Ronaldo. Ele tomou a iniciativa,
assumiu a responsabilidade, não estou nada arrependido de ter
prestigiado o maior artilheiro de todas as Copas, de todos os
tempos".
A
seleção deve partir da Alemanha neste domingo. E Parreira ainda não
decidiu qual será o seu futuro.
"Não
tenho essa preocupação se vou continuar ou não, vou resolver depois
da Copa, quando chegar no Brasil".
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