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Cafu defende veteranos da seleção
3/07/2006
SÃO
PAULO - O desembarque de alguns jogadores da seleção brasileira na
manhã desta segunda-feira no Aeroporto Internacional de Guarulhos,
em São Paulo, foi marcado por muita confusão, embora poucos
torcedores tenham ido recepcioná-los. O capitão Cafu, que defendeu
os veteranos do time, falou ainda que não decidiu sobre sua
aposentadoria da seleção.
Cafu
foi cercado por muitos jornalistas logo que deixou a sala de
desembarque do aeroporto enquanto outros integrantes da equipe, que
também chegaram a São Paulo, decidiram buscar uma saída alternativa
para não falar com a imprensa.
Quando
foi perguntado sobre a possível necessidade de renovação na seleção
brasileira, Cafu disse ironicamente: "Sempre é hora de renovar.
Depois da derrota é hora de renovar para todo mundo, é incrível."
"Mas
se (a seleção) vai renovar ou não quem sabe é o treinador e a CBF.
Jogadores veteranos já provaram que podem ser campeões do mundo até
com uma certa idade."
O
Brasil foi eliminado da Copa do Mundo da Alemanha nas
quartas-de-final após uma derrota por 1 x 0 para a França, no
sábado.
O
zagueiro Cris e o volante Mineiro também apareceram no saguão de
desembarque do aeroporto. Porém, segundo funcionários da Infraero e
demais passageiros, o goleiro Rogério Ceni, o meia Ricardinho, o
zagueiro Luisão, o lateral-direito Cicinho, o volante Gilberto Silva
e o atacante Fred também vieram para São Paulo, mas encontraram uma
outra saída alternativa para fugir das câmeras.
Cafu,
embora esteja com 36 anos, ainda não decidiu sobre sua aposentadoria
na seleção brasileira. "Sou eu quem vai decidir. Vou chegar em casa,
tomar um café, relaxar um pouco, ver as finais da Copa do Mundo e só
depois nós vamos decidir o que vamos fazer."
NÃO FALTOU EMPENHO
Sobre
a derrota para a França, o lateral-direito se recusou a falar de
falta de empenho da seleção brasileira. Para o jogador, os franceses
estavam mais vibrantes durante o jogo.
"Acho
que não faltou vontade não. O Brasil perdeu, acabou e a gente não
tem que ficar falando se faltou vontade. Não vou falar de empenho.
Quando a seleção brasileira não ganha, sobra para todo mundo", disse
Cafu.
Tomamos um gol só na competição e acabamos voltando para casa",
disse ele, sem lembrar que, na verdade, a equipe sofreu dois gols,
um para a França e outra para o Japão, na primeira fase.
"Não
tivemos forças para reagir depois do 1 x 0. Poderíamos ter feito
algo mais depois do gol, não fizemos e por isso acabamos perdendo."
O
capitão não concorda com a idéia de que o meia francês Zinedine
Zidane tinha que ter recebido marcação individual. O capitão da
França foi o principal jogador em campo, acertando todos os passes,
driblando e distribuindo chapéus.
"O
Zidane passou a Copa inteira jogando, não jogando, ficando no banco
de reservas. Só porque ele fez aquele jogo contra a seleção
brasileira todos falam que ele merecia uma marcação especial. De
repente, se ele não tivesse (recebido) uma marcação especial e não
tivesse feito nada, ninguém estaria falando isso aqui hoje."
FAVORITISMO X RESULTADO
Para Cafu, a derrota nas quartas-de-final foi uma demonstração de
que uma equipe com grandes qualidades individuais não deve ser
considerada imbatível dentro de campo. Ao
ser perguntado o que poderia ser aprendido a partir da eliminação,
ele disse:
"Que nem sempre o melhor vence. Esse é um ditado antigo, mas é
verdade. Fomos considerados a
melhor seleção do mundo, a seleção que ia dar show, e isso não
aconteceu. Outras seleções vieram e ganharam da seleção brasileira."
O Brasil chegou à Alemanha como
favorito para conquistar o Mundial, mas caiu diante dos franceses
com uma apresentação apática que irritou muitos torcedores.
Mesmo assim, Cafu acredita que a
geração de jogadores que atuou na Alemanha tem de ser lembrada como
vencedora.
"Veja bem, foi uma geração
vencedora. Vocês (jornalistas) não podem apagar a imagem da seleção
brasileira por esse jogo. Foram quatro Copas do Mundo e três finais.
Fomos campeões da Copa América e da Copa das Confederações. Acho que
vocês têm de analisar a geração pelo lado positivo e não por essa
derrota", opinou.
Ele ainda comparou esse grupo
de jogadores com o da Copa de 1982, na Espanha. Há 24 anos, o Brasil
chegou ao Mundial com um time que tinha Sócrates, Zico, Falcão,
Júnior, entre outros, mas também não conseguiu alcançar sequer as
semifinais do Mundial.
"Foi uma geração vencedora como
a de 82, que jogou bonito e perdeu. Essa não jogou bonito e perdeu
também."
Para explicar por que o time
brasileiro não marcou um gol diante dos franceses, Cafu recorreu ao
óbvio. "Não fizemos o gol porque não estivemos em posição de fazer o
gol", completou
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