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Eliminatórias Sul-americanas

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BRASIL 4 x 1 PARAGUAI

 

05/06/2005 (14ª Rodada)

 

Brasil quebra tabu, vê vaga perto e faz "final" contra Argentina

 

Teve pedalada. Teve gesto de comunhão em campo segundos antes do início do jogo. Teve apoio da torcida em tempo integral. Teve até vitória contra o Paraguai, resultado que faz do clássico contra a Argentina, quarta-feira, uma espécie de "final" das eliminatórias para a Copa do Mundo.

 
 
Em "casa", Ronaldinho Gaúcho faz dois e leva torcida de Porto Alegre ao delírio

No caldeirão de fogos de artifício que o Beira-Rio, em Porto Alegre, se transformou neste domingo, a seleção brasileira não sentiu falta dos gols de Ronaldo e, com dois de pênalti do xará Ronaldinho, um de Zé Roberto e outro de Robinho, fez 4 a 1 no Paraguai na primeira vitória contra o rival em quatro anos. Um novo sucesso em Buenos Aires deixará o time pentacampeão matematicamente classificado para o Mundial de 2006, na Alemanha.

A vitória do Brasil e a derrota Argentina nesta rodada do qualificatório ampliaram significativamente a importância do clássico de quarta-feira que, por si só, já é gigantesca. Quem sair vitorioso do Monumental de Nuñez será o primeiro sul-americano a garantir presença na Alemanha. O perdedor seguirá na luta nas três rodadas restantes.

Se vencer o arqui-rival fora de casa, o que não acontece há dez anos, o Brasil irá a 30 pontos conquistados e, na pior das hipóteses, fica em quarto lugar. O mesmo acontece com os argentinos, que lideram as eliminatórias com 28 pontos.

Não precisar de uma vitória no último jogo das eliminatórias para ir ao Mundial é uma situação que o Brasil não vive há 20 anos, quando fez quatro jogos contra Paraguai e Bolívia para ir à Copa do México. Superou os adversários nos dois primeiros, garantiu a vaga e se deu ao luxo de empatar, em casa, os jogos de volta.

"AMISTOSO DE LUXO"

Após a vitória sobre o Paraguai, o técnico Carlos Alberto Parreira confiante disse que a seleção brasileira está 99,9% classificada para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

Com isso, tirou a pressão do Brasil por uma vitória sobre a Argentina, na próxima quarta, em Buenos Aires.

"Brasil e Argentina estão classificados para a Copa e farão um amistoso de luxo em Buenos Aires. O jogo vale a liderança e terá um tempero que é a rivalidade entre os dois países" analisou.

Tal situação é idealizada pelo atual grupo da seleção desde o início do qualificatório em disputa, em setembro de 2003. À ocasião, além de reclamações sobre a duração do torneio - dois anos e meio -, foram fortes os "pedidos" de Carlos Alberto Parreira e de veteranos como Roberto Carlos, Rivaldo e Emerson para que, desta vez, o Brasil fosse à Copa "sem sofrimento".

Nas três últimas eliminatórias que havia disputado, a seleção se classificou apenas na última rodada. Em 1989, o país teve que esperar a Fifa (Federação Internacional de Futebol Association) ratificar a vaga para o Mundial de 1990. No jogo decisivo, os chilenos abandonaram o campo antes do fim após o goleiro Rojas simular ter sido atingido por um sinalizador.

Em 1993, com Parreira no comando, a vaga veio com um show de Romário contra o Uruguai, no Macaranã. Se perdesse, o Brasil estaria fora da Copa na qual conquistou o tetracampeonato.

No qualificatório para 2002, os maus resultados derrubaram dois técnicos (Vanderlei Luxemburgo e Leão) e fez o time ser comandado por um interino (Candinho) até que, na última rodada, com Luiz Felipe Scolari, O Brasil superou a Venezuela em casa e evitou o vexame.

Caso não ocorra na próxima quarta-feira, a classificação matemática poderá vir em setembro, quando a seleção recebe o Chile. E com Ronaldo, no que depender de Carlos Alberto Parreira. "Queremos contar com ele no máximo de sua capacidade", avisou o treinador, que cortou o "Fenômeno" das eliminatórias após receber o pedido deste de dispensa da Copa das Confederações.

Sem o artilheiro das eliminatórias em campo, o Brasil não encontrou dificuldades para superar o Paraguai. Com Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Adriano, a equipe conseguiu dois pênaltis no primeiro tempo, que praticamente definiram o resultado. Na etapa final, troca de bolas na entrada da área deram a Zé Roberto, xodó de Parreira, fechar o placar.

 

Atacante Robinho marca o quarto gol brasileiro e coroa boa atuação na partida

Contra a Argentina, o Brasil terá a volta de seu capitão, Cafu, que não participou do jogo deste domingo por estar suspenso. Já os arqui-rivais, ao contrário do que fizeram no sábado, quando escalaram um time misto na derrota para o Equador, em Quito, terão força máxima contra o time de Parreira. Que não poderá fazer o mesmo - até porque não terá Ronaldo em campo.

O jogo
A ausência do atacante Ronaldo, cortado pelo técnico Carlos Alberto Parreira para resolver problemas particulares, não foi sentida no jogo contra o Paraguai. Apesar do pouco tempo de trabalho, o quarteto ofensivo demonstrou bastante entrosamento.

A primeira boa jogada aconteceu aos 13min. Robinho lançou Zé Roberto na esquerda, que cruzou rasteiro para Kaká na entrada da área. O meia do Milan chutou forte e o goleiro Villar não segurou. No rebote, Manzur salvou antes de Adriano chegar.

Aos 19min, Kaká lançou Adriano pela esquerda. O atacante girou o corpo sobre o zagueiro Manzur e chutou forte de pé esquerdo. A bola bateu na parte externa da rede do Paraguai. Aos 25min, novamente Adriano recebeu na área, tentou driblar Villar, mas acabou chutando em cima do goleiro.

O Brasil dominava amplamente o jogo e o primeiro era questão de tempo. Aos 31min, finalmente os brasileiros abriram o placar no Beira-Rio. Roberto Carlos recebeu no lado esquerdo do ataque e buscou Adriano na área. O cruzamento, no entanto, barrou no braço de Manzur: pênalti. Ronaldinho Gaúcho cobrou sem chances para Villar e fez 1 a 0.

Abrimos uma vantagem boa sobre o Paraguai na classificação e agora vamos para Buenos Aires sem muita pressão. A obrigação é deles, que têm de vir para cima do Brasil.  

Roberto Carlos

 

A seleção brasileira aproveitou o bom momento para apertar o ritmo. Após algumas chances desperdiçadas, Robinho brilhou. Aos 41min, o atacante do Santos pedalou para cima da defesa do Paraguai e sofreu novo pênalti, agora de Da Silva. Ronaldinho Gaúcho bateu novamente com perfeição no canto direito do goleiro.

A atuação da equipe no primeiro tempo foi bastante comemorada pelo técnico do Brasil Carlos Alberto Parreira. "O time jogou com muita aplicação. O Paraguai jogou fechado, mas soubemos trabalhar pelos lados do campo, abrir espaços. Os gols saíram de pênalti, mas foram em jogadas criadas pelo nosso time", afirmou.

A aplicação da equipe citada pelo treinador seguiu no segundo tempo. A seleção foi envolvendo o adversário e criando mais chances. Logo aos 2min, Kaká driblou dois marcadores e tocou para Zé Roberto na entrada da área. O jogador chutou forte e acertou o travessão de Villar.

O Brasil estava em tarde inspirada e criava muitas oportunidades para ampliar, principalmente com o quarteto Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Adriano e Kaká. A facilidade fez até os jogadores abusarem no preciosismo ao definir os lances. Fato que irritou Parreira.

O Paraguai apostava apenas nos contra-ataques e buscava faltas próximas da área para levar algum perigo ao goleiro Dida.

A seleção brasileira era infinitamente superior e chegou o terceiro aos 25min. Depois de jogada pelo lado direito do ataque, entre Belletti e Ronaldinho Gaúcho, Zé Roberto recebeu livre na entrada da área e acertou belo chute no ângulo do goleiro Villar, que não pôde fazer nada.

No relaxamento da equipe após fazer 3 a 0, o Paraguai aproveitou para diminuir o placar no Beira-Rio, justamente em uma jogada de bola área, temor de Parreira. Três minutos depois do gol de Zé Roberto, Caniza cruzou na cabeça de Santa Cruz. A bola ainda bateu no zagueiro Lúcio antes de entrar no gol defendido por Dida.

O treinador brasileiro percebeu certa acomodação e fez duas alterações para mexer com o time. Gilberto Silva e Ricardo Oliveira entraram no lugar de Emerson e Adriano. Logo após essas alterações, aos 33min, Ronaldinho Gaúcho deu passe perfeito para Robinho dentro da área. O atacante chutou cruzado para boa defesa de Villar.

A seleção ainda ficou com um jogador a menos a 10 minutos do fim. Lúcio tentou dominar uma jogada, errou e acabou cometendo falta dura em Paredes. O árbitro Martín Vázquez não teve dúvida e expulsou o jogador que já tinha amarelo.

Quando Parreira preparava Juan para entrar no lugar de Robinho e recompor o sistema defensivo, o atacante fez o quarto gol. Aos 37min, Kaká fez lindo lançamento para o santista dentro da área, que só tocou com facilidade por baixo do goleiro para fechar o placar: 4 a 1.
 

BRASIL 4 x 1 PARAGUAI

 

Data: 5/06/2005

Local: estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Árbitro: Martín Vázquez (URU)


BRASIL
Dida; Belletti, Lúcio, Roque Júnior e Roberto Carlos; Emerson (Gilberto Silva), Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Robinho (Juan) e Adriano (Ricardo Oliveira)
Técnico: Carlos Alberto Parreira

PARAGUAI
Villar; Caniza, Manzur, Gamarra e Da Silva; Bonet (Barreto), Ortiz, Paredes e Torres; Cabañaz (Cuevas) e Santa Cruz
Técnico: Aníbal Ruiz

Cartões amarelos: Belletti, Roque Júnior(Brasil); Paredes, Mansur (Paraguai)
Cartão vermelho: Lúcio (Brasil)
Gols: Ronaldinho, aos 32min e aos 41min, do primeiro tempo; Zé Roberto, aos 25min, Santa Cruz, aos 27min, Robinho, aos 37min, do segundo tempo

 

 

 

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