Teve pedalada.
Teve gesto de comunhão em campo segundos antes do início
do jogo. Teve apoio da torcida em tempo integral. Teve até
vitória contra o Paraguai, resultado que faz do clássico
contra a Argentina, quarta-feira, uma espécie de "final"
das eliminatórias para a Copa do Mundo.
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| Em
"casa", Ronaldinho Gaúcho faz dois e leva torcida de
Porto Alegre ao delírio |
No caldeirão de fogos de artifício que o Beira-Rio, em
Porto Alegre, se transformou neste domingo, a seleção
brasileira não sentiu falta dos gols de Ronaldo e, com
dois de pênalti do xará Ronaldinho, um de Zé Roberto e
outro de Robinho, fez 4 a 1 no Paraguai na primeira
vitória contra o rival em quatro anos. Um novo sucesso em
Buenos Aires deixará o time pentacampeão matematicamente
classificado para o Mundial de 2006, na Alemanha.
A vitória do Brasil e a derrota Argentina nesta rodada do
qualificatório ampliaram significativamente a importância
do clássico de quarta-feira que, por si só, já é
gigantesca. Quem sair vitorioso do Monumental de Nuñez
será o primeiro sul-americano a garantir presença na
Alemanha. O perdedor seguirá na luta nas três rodadas
restantes.
Se vencer o arqui-rival fora de casa, o que não acontece
há dez anos, o Brasil irá a 30 pontos conquistados e, na
pior das hipóteses, fica em quarto lugar. O mesmo acontece
com os argentinos, que lideram as eliminatórias com 28
pontos.
Não precisar de uma vitória no último jogo das
eliminatórias para ir ao Mundial é uma situação que o
Brasil não vive há 20 anos, quando fez quatro jogos contra
Paraguai e Bolívia para ir à Copa do México. Superou os
adversários nos dois primeiros, garantiu a vaga e se deu
ao luxo de empatar, em casa, os jogos de volta.
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"AMISTOSO DE LUXO" |
Após a vitória sobre o Paraguai, o técnico Carlos
Alberto Parreira confiante disse que a seleção
brasileira está 99,9% classificada para a Copa do
Mundo de 2006, na Alemanha.
Com isso, tirou a pressão do Brasil por uma vitória
sobre a Argentina, na próxima quarta, em Buenos Aires.
"Brasil e Argentina estão classificados para a Copa e
farão um amistoso de luxo em Buenos Aires. O jogo vale
a liderança e terá um tempero que é a rivalidade entre
os dois países" analisou. |
Tal situação é idealizada pelo atual grupo da seleção
desde o início do qualificatório em disputa, em setembro
de 2003. À ocasião, além de reclamações sobre a duração do
torneio - dois anos e meio -, foram fortes os "pedidos" de
Carlos Alberto Parreira e de veteranos como Roberto
Carlos, Rivaldo e Emerson para que, desta vez, o Brasil
fosse à Copa "sem sofrimento".
Nas três últimas eliminatórias que havia disputado, a
seleção se classificou apenas na última rodada. Em 1989, o
país teve que esperar a Fifa (Federação Internacional de
Futebol Association) ratificar a vaga para o Mundial de
1990. No jogo decisivo, os chilenos abandonaram o campo
antes do fim após o goleiro Rojas simular ter sido
atingido por um sinalizador.
Em 1993, com Parreira no comando, a vaga veio com um show
de Romário contra o Uruguai, no Macaranã. Se perdesse, o
Brasil estaria fora da Copa na qual conquistou o
tetracampeonato.
No qualificatório para 2002, os maus resultados derrubaram
dois técnicos (Vanderlei Luxemburgo e Leão) e fez o time
ser comandado por um interino (Candinho) até que, na
última rodada, com Luiz Felipe Scolari, O Brasil superou a
Venezuela em casa e evitou o vexame.
Caso não ocorra na próxima quarta-feira, a classificação
matemática poderá vir em setembro, quando a seleção recebe
o Chile. E com Ronaldo, no que depender de Carlos Alberto
Parreira. "Queremos contar com ele no máximo de sua
capacidade", avisou o treinador, que cortou o "Fenômeno"
das eliminatórias após receber o pedido deste de dispensa
da Copa das Confederações.
Sem o artilheiro das eliminatórias em campo, o Brasil não
encontrou dificuldades para superar o Paraguai. Com Kaká,
Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Adriano, a equipe conseguiu
dois pênaltis no primeiro tempo, que praticamente
definiram o resultado. Na etapa final, troca de bolas na
entrada da área deram a Zé Roberto, xodó de Parreira,
fechar o placar.
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Atacante
Robinho marca o quarto gol brasileiro e coroa boa
atuação na partida |
Contra a Argentina, o Brasil terá a volta de seu
capitão, Cafu, que não participou do jogo deste domingo
por estar suspenso. Já os arqui-rivais, ao contrário do
que fizeram no sábado, quando escalaram um time misto na
derrota para o Equador, em Quito, terão força máxima
contra o time de Parreira. Que não poderá fazer o mesmo -
até porque não terá Ronaldo em campo.
O jogo
A ausência do atacante Ronaldo, cortado pelo técnico
Carlos Alberto Parreira para resolver problemas
particulares, não foi sentida no jogo contra o Paraguai.
Apesar do pouco tempo de trabalho, o quarteto ofensivo
demonstrou bastante entrosamento.
A primeira boa jogada aconteceu aos 13min. Robinho lançou
Zé Roberto na esquerda, que cruzou rasteiro para Kaká na
entrada da área. O meia do Milan chutou forte e o goleiro
Villar não segurou. No rebote, Manzur salvou antes de
Adriano chegar.
Aos 19min, Kaká lançou Adriano pela esquerda. O atacante
girou o corpo sobre o zagueiro Manzur e chutou forte de pé
esquerdo. A bola bateu na parte externa da rede do
Paraguai. Aos 25min, novamente Adriano recebeu na área,
tentou driblar Villar, mas acabou chutando em cima do
goleiro.
O Brasil dominava amplamente o jogo e o primeiro era
questão de tempo. Aos 31min, finalmente os brasileiros
abriram o placar no Beira-Rio. Roberto Carlos recebeu no
lado esquerdo do ataque e buscou Adriano na área. O
cruzamento, no entanto, barrou no braço de Manzur:
pênalti. Ronaldinho Gaúcho cobrou sem chances para Villar
e fez 1 a 0.
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Abrimos uma vantagem boa sobre o
Paraguai na classificação e agora vamos para Buenos
Aires sem muita pressão. A obrigação é deles, que têm
de vir para cima do Brasil. |
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Roberto Carlos
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A seleção
brasileira aproveitou o bom momento para apertar o ritmo.
Após algumas chances desperdiçadas, Robinho brilhou. Aos
41min, o atacante do Santos pedalou para cima da defesa do
Paraguai e sofreu novo pênalti, agora de Da Silva.
Ronaldinho Gaúcho bateu novamente com perfeição no canto
direito do goleiro.
A atuação da equipe no primeiro tempo foi bastante
comemorada pelo técnico do Brasil Carlos Alberto Parreira.
"O time jogou com muita aplicação. O Paraguai jogou
fechado, mas soubemos trabalhar pelos lados do campo,
abrir espaços. Os gols saíram de pênalti, mas foram em
jogadas criadas pelo nosso time", afirmou.
A aplicação da equipe citada pelo treinador seguiu no
segundo tempo. A seleção foi envolvendo o adversário e
criando mais chances. Logo aos 2min, Kaká driblou dois
marcadores e tocou para Zé Roberto na entrada da área. O
jogador chutou forte e acertou o travessão de Villar.
O Brasil estava em tarde inspirada e criava muitas
oportunidades para ampliar, principalmente com o quarteto
Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Adriano e Kaká. A facilidade
fez até os jogadores abusarem no preciosismo ao definir os
lances. Fato que irritou Parreira.
O Paraguai apostava apenas nos contra-ataques e buscava
faltas próximas da área para levar algum perigo ao goleiro
Dida.
A seleção brasileira era infinitamente superior e chegou o
terceiro aos 25min. Depois de jogada pelo lado direito do
ataque, entre Belletti e Ronaldinho Gaúcho, Zé Roberto
recebeu livre na entrada da área e acertou belo chute no
ângulo do goleiro Villar, que não pôde fazer nada.
No relaxamento da equipe após fazer 3 a 0, o Paraguai
aproveitou para diminuir o placar no Beira-Rio, justamente
em uma jogada de bola área, temor de Parreira. Três
minutos depois do gol de Zé Roberto, Caniza cruzou na
cabeça de Santa Cruz. A bola ainda bateu no zagueiro Lúcio
antes de entrar no gol defendido por Dida.
O treinador brasileiro percebeu certa acomodação e fez
duas alterações para mexer com o time. Gilberto Silva e
Ricardo Oliveira entraram no lugar de Emerson e Adriano.
Logo após essas alterações, aos 33min, Ronaldinho Gaúcho
deu passe perfeito para Robinho dentro da área. O atacante
chutou cruzado para boa defesa de Villar.
A seleção ainda ficou com um jogador a menos a 10 minutos
do fim. Lúcio tentou dominar uma jogada, errou e acabou
cometendo falta dura em Paredes. O árbitro Martín Vázquez
não teve dúvida e expulsou o jogador que já tinha amarelo.
Quando Parreira preparava Juan para entrar no lugar de
Robinho e recompor o sistema defensivo, o atacante fez o
quarto gol. Aos 37min, Kaká fez lindo lançamento para o
santista dentro da área, que só tocou com facilidade por
baixo do goleiro para fechar o placar: 4 a 1.
BRASIL 4 x 1
PARAGUAI
Data:
5/06/2005
Local:
estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Árbitro: Martín Vázquez (URU)
BRASIL
Dida; Belletti, Lúcio, Roque Júnior e Roberto Carlos;
Emerson (Gilberto Silva), Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho
Gaúcho; Robinho (Juan) e Adriano (Ricardo Oliveira)
Técnico: Carlos Alberto Parreira
PARAGUAI
Villar; Caniza, Manzur, Gamarra e Da Silva; Bonet
(Barreto), Ortiz, Paredes e Torres; Cabañaz (Cuevas) e
Santa Cruz
Técnico: Aníbal Ruiz
Cartões amarelos: Belletti, Roque Júnior(Brasil);
Paredes, Mansur (Paraguai)
Cartão vermelho: Lúcio (Brasil)
Gols: Ronaldinho, aos 32min e aos 41min, do
primeiro tempo; Zé Roberto, aos 25min, Santa Cruz, aos
27min, Robinho, aos 37min, do segundo tempo