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Ficha Técnica Jogos do Brasil
Brasil "contraria" Parreira e, com três gols de
Ronaldo, bate Argentina
02/06/2004 (6ª
Rodada)
Toque de bola, ritmo
cadenciado, jogo de equipe, paciência. O futebol pregado pelo
treinador Carlos Alberto Parreira foi ignorado na noite desta
quarta-feira, em Belo Horizonte. Quem não deu para ser ignorado
foi Ronaldo. Chamado de "gordo" antes da partida na capital
mineira, o atacante marcou os três gols na vitória por 3 a 1 sobre
os argentinos.
Com um jogo rápido, beirando o impaciente na maior parte do tempo,
a seleção brasileira conseguiu, com a vitória, no estádio do
Mineirão, assumir a liderança das eliminatórias da Copa. Os três
gols convertidos por Ronaldo saíram em jogadas individuais em que
ele próprio acabou derrubado. O lateral Sorín fez o gol argentino.
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Ronaldo
comemora gol de pênalti do Brasil com seu companheiro Kaká |
O astro do Real Madrid brilhou no palco que o consagrou há 11
anos. Revelado pelo Cruzeiro, em 1993, o atacante foi negociado
com o PSV (Holanda) por US$ 6 milhões. À época franzino, o
goleador foi o destaque do Campeonato Brasileiro daquele ano.
A vitória colocou o Brasil no topo da tabela de classificação para
a Copa de 2006, com 12 pontos. A Argentina estacionou nos 11. O
Paraguai tem 10.
O próximo compromisso brasileiro será diante do Chile, domingo
(dia 6), em Santiago. Os adversários, que na terça-feira venceram
a Venezuela por 1 a 0, somam dez pontos.
A vitória interrompeu a seqüência de empates do Brasil nas
eliminatórias, que havia ficado no 1 a 1 com o Peru, 3 a 3 com o
Uruguai e 0 a 0 com o Paraguai. Nos dois últimos amistosos, empate
com a França (0 a 0) e goleada sobre Catalunha (5 a 2).
O tropeço do time de Marcelo Bielsa pôs fim à invencibilidade
argentina no qualificatório. A seleção azul e branca não perdia
havia 17 partidas. Era a maior série invicta dos 'hermanos', que
foram derrotados pela última vez no primeiro turno das
eliminatórias passadas, justamente para o Brasil: 3 x 1 no
Morumbi.
E, segundo dados da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), a
vitória selou o desempate entre as principais seleções do
continente. Eram 33 vitórias para cada lado e 25 empates.
Jogo
O hino nacional brasileiro, interpretado por Milton Nascimento e o
ministro da Cultura, Gilberto Gil, com acompanhamento da Banda de
Música da Polícia Militar de Minas Gerais e do conjunto afro
Berimbrown, embalou a torcida no início da partida.
Jogando com velocidade, as seleções se lançaram ao ataque. Logo
aos 5min, Luís Fabiano arrancou pela esquerda, livrou-se da
marcação, mas errou ao tocar a bola. A Argentina respondeu com
Sorín, aos 8min. O ex-lateral do Cruzeiro invadiu a área e foi
travado antes do passe. Crespo, sozinho, esperava a bola.
Sem Ronaldinho Gaúcho, Kaká era o responsável pela armação do
time, que não contou ainda com Lúcio (machucado) e Gilberto Silva
(suspenso). Bielsa também não pôde escalar desde início o seu
principal armador: Aimar. Riquelme e D'Alessandro, os reservas
imediatos, foram cortados.
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Ronaldo sofre
pênalti que ele mesmo cobrou para marcar o 1º gol da seleção |
O primeiro gol aconteceu aos 16min. Em jogada individual de
Ronaldo, o Fenômeno foi derrubado dentro da área. Pênalti. O
atacante converteu, mas o árbitro Oscar Ruiz anotou invasão dos
brasileiros e mandou voltar. Ofegante, o jogador do Real Madrid
chutou praticamente no meio do gol.
Os torcedores que lotavam o Mineirão e cantavam músicas da baiana
Ivete Sangalo - a musa da Copa de 2002 -, interromperam a festa a
partir dos 15min. A Argentina passou a pressionar o Brasil e por
pouco não empatou com Crespo, aos 17min. Dida impediu a
finalização do artilheiro.
Sete minutos depois, Mascherano aproveitou cobrança de escanteio e
desviou para o fundo das redes brasileiras. A arbitragem, porém,
anulou o gol. Alegou que a bola saiu durante o chute. Aos 28min,
Crespo cabeceou por cima da meta.
Bem marcado, Kaká pouco criou e o Brasil sentiu. Ameaçou em lances
esporádicos com Luís Fabiano (que não alcançou a bola aos 25min,
após cruzamento de Cafu) e Roberto Carlos (de falta, aos 32min).
O torcedor mineiro, impaciente, pediu a entrada de Alex, destaque
do Cruzeiro. Para piorar, Zé Roberto recebeu cartão amarelo e não
enfrentará o Chile no próximo domingo, em Santiago.
A Argentina, que aos 34min trocou Delgado (machucado) por Rosales,
ainda na etapa inicial, ainda ameaçou com Sorín e Kily González.
"O jogo não está bom. Eles pressionam muito", advertiu Ronaldo,
antes de descer para o vestiário.
O panorama do clássico não mudou no segundo tempo. O Brasil, pouco
criativo, reclamou de um pênalti logo a 1min - Samuel puxou a
camisa de Ronaldo. Os arqui-rivais arriscavam, mas sem a mesma
objetividade.
Em dois chutes de Ronaldo, da entrada da área (7min e 12min), a
seleção de Carlos Alberto Parreira 'acordou' os torcedores. Os
tiros, no entanto, passaram longe da meta de Caballero.
Na tentativa de conseguir o empate, Bielsa sacou Rosales e Lucho
Gonzáles. Entraram Saviola e Aimar (que reclamava de dores antes
do jogo), respectivamente. Não funcionou.
Explorando os contra-ataques, os pentacampeões chegaram ao segundo
gol de forma idêntica ao primeiro. Aos 22min, em arrancada de
Ronaldo, Mascherano cometeu a falta. O defensor, que já havia
recebido o amarelo, não foi expulso. O camisa 9, alheio à decisão
do árbitro, cobrou com categoria e ampliou o placar. "Êo, êo, o
Ronaldo e um terror!", entoou o Mineirão.
A torcida, então, aproveitou para gritar 'olé' a cada toque do
Brasil. Aos 26min, Edmílson roubou a bola e serviu Roberto Carlos,
que disparou com violência. Passou muito perto.
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Ronaldo
comemora terceiro gol brasileiro com Júlio Baptista, Edmílson
e Edu |
Valente, a Argentina
tentou descontar. E conseguiu com Sorín, aos 34min. O jogador do
Paris Sain Germain finalizou após cruzamento pela direita. Aos
44min, o camisa 10 Luís Fabiano, depois do toque de Júlio
Baptista, cabeceou em cima de Caballero.
Mas a noite era mesmo do Fenômeno. Esperto, o goleador entrou na
área, deixou a perna e sofreu a terceira penalidade. Conclusão: 3
x 1 Brasil e o sexto gol do astro no qualificatório. "Ele continua
sendo aquele jogador que faz a diferença", destacou Parreira.
BRASIL 3 x 1 ARGENTINA
Árbitro: Oscar
Ruíz (COL)
Auxiliares: Eduardo Botero (COL) e Carlos Sierra (COL)
Local: estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão), em
Belo Horizonte
Horário: 21h45 (horário de Brasília)
Brasil
Dida; Cafu, Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos; Edmílson, Juninho
Pernambucano (Júlio Baptista), Zé Roberto e Kaká (Alex); Luís
Fabiano (Edu) e Ronaldo
Técnico: Carlos Alberto Parreira
Argentina
Caballero; Samuel; Quiroga e Heinze; Zanetti, Mascherano e Sorín;
Lucho González (Aimar); Delgado (Rosales / Saviola), Crespo e Kily
González
Técnico: Marcelo Bielsa
Cartões amarelos: Zé Roberto, Kaká (B); Mascherano, Zanetti,
Aimar (A)
Gol: Ronaldo (P), aos 16min do primeiro tempo; Ronaldo (P),
aos 22min e 50min do segundo tempo.
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