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Ficha Técnica Jogos do Brasil
BRASIL 1 x 0
PERU (12ª Rodada)
"Salva-Ronaldo" funciona às avessas e Brasil
volta a vencer nas eliminatórias
27/03/2005 (12ª
Rodada)
A operação "salva-Ronaldo"
da seleção brasileira funcionou, mas não como o time e o técnico
Carlos Alberto Parreira esperavam. Neste domingo, em Goiânia, o
Brasil superou o Peru e voltou a vencer nas eliminatórias, mas não
com o esperado gol do atacante, vítima de profundo inferno astral
no Real Madrid.
Após uma série de tentativas frustradas de corresponder à devoção
dos seus companheiros, que o deixaram em condições de marcar ao
menos em três oportunidades, o "Fenômeno" serviu Kaká aos 28min do
segundo tempo no lance no qual o meia-atacante do Milan salvou o
Brasil do que seria seu terceiro jogo seguido sem vitória no
qualificatório para a Copa do
Mundo.
Com o sucesso por 1 a 0 em Goiânia, o Brasil manteve apenas
dois pontos de desvantagem para a líder das eliminatórias, a
Argentina. Enquanto o time de Parreira é o vice-líder com 23
pontos, os "hermanos", que quebraram no sábado um jejum de 32 anos
sem vitórias contra a Bolívia em La Paz, somam 25.
O resultado afasta também a possibilidade de uma marca negativa do
time pentacampeão. Caso não vencesse neste domingo, o Brasil
completaria três jogos sem vitória, com o adendo da ameaça também
de completar três jogos sem marcar gols. Nos dois jogos
anteriores, a equipe havia obtido um empate (0 a 0 contra a
Colômbia) e uma derrota (1 a 0 contra o Equador).
Com o gol de Kaká, o Brasil também segue no caminho traçado pela
comissão técnica para praticamente garantir ainda nesta semana a
classificação para a Copa do Mundo de 2006. Na quarta-feira, no
mítico estádio Centenário, em Montevidéu, o time de Parreira
encara o Uruguai, que não perde para os brasileiros na sua casa
desde 1976.
Se os esforços para auxiliar o astro do Real Madrid se revelaram
capengas, o mesmo pode-se dizer da primeira experiência com o novo
esquema tático implantado por Parreira.
O treinador abriu mão do 4-3-1-2, predominante em praticamente
toda sua gestão, e passou a armar o time com dois volantes
(Emerson e Zé Roberto), dois meias (Juninho e Kaká) e dois
atacantes (Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo). Apesar da aparente
mudança, os velhos problemas apresentados pelo time persistiram em
Goiânia.
"Não tá difícil, é só ter paciência. Se jogar pela lateral fica
mais fácil", sentenciou o lateral-esquerdo Roberto Carlos no
intervalo.
"O time foi muito lento, não se compactou. Faltou alegria para
jogar. Vamos ver se a gente abre mais o jogo, jogue com mais
velocidade", avaliou Parreira ao fim da primeira etapa, quando
decidiu colocar Robinho em campo na tentativa de dinamizar a
operação "salva-Ronaldo".
O auxílio ao atacante começou logo a 1min30, quando Juninho armou
jogada pela direita e tocou para Cafu. O capitão fez o cruzamento
na direção de Ronaldo, que não conseguiu alcançar.
O plano teve seqüência aos sete minutos, quando Ronaldinho Gaúcho
tocou para Kaká na entrada da área. O jogador do Milan tocou para
trás e Zé Roberto chutou, com perigo, à direita do gol de Ibañez.
Aos 10min, Roberto Carlos roubou bola na intermediária do Peru e
acionou Ronaldinho Gaúcho. O astro do Barcelona tentou lançamento
para Ronaldo, mas o "Fenômeno" passou a bola e não conseguiu
dominar. Dois minutos depois, o Brasil ensaiou uma "blitz" contra
a área peruana.
Roberto Carlos cruzou na direção de Ronaldo, mas o atacante, mais
uma vez, não alcançou. Kaká buscou a bola no lado direito e tocou
para Juninho tentar novo cruzamento. A zaga rebateu e, no rebote,
Roberto Carlos chutou para defesa parcial de Ibañez. Na seqüência,
a zaga mandou a bola para escanteio.
Nos minutos seguintes,
o público do Serra Dourada viu um Peru arriscando um pouco mais no
ataque, conforme "promessa" do seu técnico, o brasileiro Paulo
Autuori. Em dois lances, um com Palacios, desarmado por Roberto
Carlos, e numa falta cobrado por Solano, o visitante levou perigo
a Dida.
Aos 20min, o Brasil do novo 4-2-2-2 mostrava os mesmos defeitos
que o Brasil "velho", que usava o "1" no 4-3-1-2. A equipe, bem
marcada, não conseguia chegar ao ataque por meio da troca de
passes, algo bastante valorizado nos times dirigidos por Parreira.
Aos 21min, em outro "abafa", Cafu recuperou a bola na lateral
direita e arriscou um chute rente à linha do gol peruano. Ronaldo,
livre, viu a bola passar entre suas pernas, sem conseguir tocar
para a meta do já batido Ibañez.
Cinco minutos depois, o Peru deu outro indício de preocupação para
Dida. Pizarro recebeu longo lançamento nas costas da defesa e, já
dentro da área, arriscou um chute sem pulo. A bola passou próximo
à trave esquerda da meta brasileira.
Aos 31min, Juninho Pernambucano teve a chance a deixar o ser "cara
que deve sair para o Robinho entrar", mas chutou falta à esquerda
do gol do Peru. No minuto seguinte, o Brasil teve sua melhor
chance, e justamente no esquema "salva-Ronaldo".
O atacante do Real Madrid tabelou com Roberto Carlos, companheiro
de clube, a apareceu sozinho à frente de Ibañez. Porém, se
atrapalhou no momento da conclusão e facilitou a defesa do goleiro
peruano. A falha foi a deixa para o grito por Robinho se tornar
generalizado no Serra Dourada.
Aos 41min, o Peru armou contra-ataque. Pizarro dominou na entrada
da área e aguardou a passagem de Palacios pela direita. O armador
recebeu a bola livre, mas, entre chutar e cruzar, não fez nenhum
dos dois e facilitou a defesa de Dida.
Para o segundo tempo, Parreira fez a alteração prevista desde os
treinamentos na Granja Comary. Irritado com a falta de velocidade,
o treinador sacou Juninho e pôs Robinho em campo. Mas quem
assustou primeiro na etapa final foi o Peru. Pizarro aproveitou
falha da defesa e cabeceou por cima do gol de Dida.
O Brasil respondeu aos seis minutos. Lúcio centrou em cobrança de
falta na direção de Ronaldo, mas o atacante, que chutou por cima,
cometeu falta segundo a arbitragem. No minuto seguinte, Kaká
lançou Ronaldo dentro da área. O atacante tentou, sem sucesso,
driblar Ibañez, que cortou o lance.
Aos oito, o Brasil criou outra boa chance. Kaká tabelou com Cafu
que, impedido, entrou na área e cruzou para o companheiro de
Milan, que teve seu chute desviado justamente na direção das mãos
de Ibañez.
Aos 13min, o árbitro Carlos Amarilla deixou de marcar pênalti
claro para o Brasil. Ronaldinho Gaúcho tabelou com Robinho e, no
momento no qual entrou na área, foi derrubado por Vilches.
Amarilla ainda puniu o meia-atacante com cartão amarelo.
Aos 28min, o gol. Ronaldinho tocou para Ronaldo, e o "Fenômeno"
lançou Kaká dentro da área. O jogador do Milan chutou na saída de
Ibañez.
Após o gol, o Brasil seguiu desorganizado em campo, o que parecia
não importar mais para a torcida, que gritava "olé" no embalo da
despretensiosa troca de passes da equipe. Aos 46min, Ronaldo teve
sua última chance de coroar o esforço coletivo para que balançasse
as redes. Driblou um adversário já dentro de área, mas, no momento
da conclusão, novamente chutou em cima de Ibañez.
BRASIL 1 x 0 PERU
Local: estádio
Serra Dourada, em Goiânia (GO)
Público: 49.163 pessoas
Renda: R$ 2.183.544,00
Árbitro: Carlos Amarilla (PAR
BRASIL
Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto,
Juninho Pernambucano (Robinho) e Kaká (Renato); Ronaldinho Gaúcho
e Ronaldo
Técnico: Carlos Alberto Parreira
PERU
Ibañez; Soto, Rebosio, Rodríguez (Guadalupe) e Vilches; Jayo,
Zegarra, Palacios (Olcese) e Solano (Cominges); Farfán e Pizarro
Técnico: Paulo Autuori
Gol: Kaká |