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Rivaldo x Kahn: o duelo da final
4ª
feira, 26/6/2002
Quem é o melhor jogador da Copa do Mundo de 2002? A resposta
será dada no domingo, quando Brasil e Alemanha disputam o título
na cidade japonesa de Yokohama. Os favoritos? O atacante
brasileiro Rivaldo e o goleiro alemão Kahn. Aquele que for o
campeão deve também ser escolhido o destaque do Mundial da Coréia
e do Japão.
Rivaldo é goleador. Marcou gols importantes para o Brasil e
foi, junto com Ronaldo, o principal destaque da seleção de Felipão.
Kahn é goleiro. Daqueles que intimidam o adversário. Em seis jogos
nesta Copa, sofreu apenas um gol (para a Irlanda, ainda na
primeira fase). Sem ele, a Alemanha torna-se um time comum.
O
brasileiro - O bom desempenho na Copa do Mundo da Coréia do
Sul e Japão é uma espécie de redenção para Rivaldo. Antes da
competição, ele teve de enfrentar o habitual descrédito dos
torcedores com seu futebol e uma contusão que quase o impediu de
entrar em campo. Rivaldo, porém, deu a volta por cima e é uma das
figuras mais badaladas deste Mundial.
A Fifa tem eleito Rivaldo o melhor em campo em seguidos jogos
do Brasil. A chance de ele acabar como o número 1 da competição é
grande. O técnico Luiz Felipe Scolari, que apostou no jogador do
Barcelona apesar de seu momento difícil, não cansa de elogiá-lo,
ressaltar sua importância para o sucesso do time. “É um jogador
esforçado, que vai ao ataque, ajuda na marcação do meio-de-campo e
sabe improvisar”, analisa o treinador.
Rivaldo, eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa em 1999,
sempre viveu uma relação delicada com a torcida e a imprensa do
Brasil. Reclama ser pouco valorizado na terra natal, ao contrário
do que acontece no exterior, segundo ele. Calado e um pouco
tímido, Rivaldo não chega a ter o carisma de Ronaldo, por exemplo,
com quem faz dupla ofensiva na seleção. Mas, nesta Copa, foi, aos
poucos, conquistando o carinho de todos.
Entre outros craques do futebol mundial, Rivaldo sempre esteve
em alta. Recentemente, ganhou aplausos de Pelé e Romário. O
argentino Diego Maradona sempre foi um fã declarado do futebol de
Rivaldo. No Mundial de 2002, ele se destaca ainda por marcar gols.
Virou goleador. Fez gols decisivos e bonitos, como o contra a
Bélgica, o primeira da vitória por 2 a 0, pelas oitavas-de-final.
Rivaldo, um pernambucano de 30 anos, disputa seu segundo
Mundial. Em 1998, na França, marcou três gols e teve uma boa
atuação, mas, como o Brasil perdeu a final para os donos da casa,
deixou a competição sem brilho, assim como os seus companheiros.
Agora, a redenção completa pode chegar com o título e a
possibilidade de voltar ao topo dos craques mundiais, como há três
anos.
O
alemão - O sujeito é mal-humorado. Além disso, não faz questão
alguma de parecer simpático. Usava uma vasta cabeleira loira,
parecida com aquela da dupla Chitãozinho e Xororó, lembra?
Resolveu trocar. Cortou a cabeleira e deixou crescer as
costeletas. Ficou menos pior.
Quando chega ao Bayern de Munique, clube em que joga, e diz bom
dia, as pessoas se entreolham, admiradas. Esse é Oliver Kahn,
goleiro da Alemanha e candidato a melhor jogador da Copa do Mundo
Coréia/Japão. Uma antítese do futebol, esporte em que o gol
representa a alegria máxima.
Num esporte em que os mais destacados são os “fazedores” de
gols ou os jogadores mais habilidosos, um homem que representa o
anticlímax do jogo poderá ser eleito o melhor da Copa do Mundo.
Afinal, o goleiro está ali para tentar frear a alegria
representada pelo gol. Ele acaba sendo um estraga prazer. Mas é
esse prazer que move a vida de Kahn.
O atacante brasileiro, naturalizado alemão, Paulo Rink, que
atua pelo Nuremberg, atesta que Kahn é um dos goleiros mais
difíceis de serem vencidos em todo mundo. Mas ele tem seu ponto
fraco, como revelou Rink ao programa “Linha de Frente”, da Rádio
Jovem Pan. “Nenhum goleiro gosta de tomar gol. Mas ele vai mais
além. Ele chega a chorar. E para fazê-lo chorar, o caminho é o
canto direito baixo. Ali ele é fraco”, disse Rink.
E um dos últimos que fez Kahn chorar foi um brasileiro:
Amoroso. As lágrimas jorraram do rosto do goleiro na partida em
que seu time empatou com o Borussia dos brasileiros Amoroso,
Ewerthon e Dedê e viu a chance de chegar ao título alemão começar
a ir embora.
Na partida de ida, em Dortmund, o Bayern venceu por 2 a 0. Em
uma cobrança de falta, batida por Amoroso, a bola tocou na trave
esquerda de Kahn, correu por sobre a linha do gol e,
caprichosamente, encontrou as mãos do goleiro. Ao segurar a bola,
Kahn urrou como um leão. Ao sair de campo, disse ao brasileiro:
“Quando o goleiro é bom, a bola vai ao encontro dele”.
No jogo de volta, em Munique, empate por 1 a 1. Amoroso teve a
chance de bater uma outra falta. Kahn arrumou a barreira de um
lado e se posicionou do outro, esperando a cobrança por cima da
barreira para sair e fazer a defesa. Amoroso foi para a bola mas,
em vez de chutar, esperou Kahn fazer o movimento de saída. Bateu a
bola de efeito, por sobre a barreira mas para o lado que o goleiro
estava abandonando. Gol do Borussia. Kahn só pôde olhar e ver a
bola entrando. Na saída de campo, Amoroso teria dito: “Hoje você
foi ao encontro dela na rede”. Deve ter falado isso e saído de
perto. O alemão é muito mal-encarado.
A seleção alemã saiu de seu país totalmente desacreditada.
Torcedores e imprensa foram unânimes em classificar o time como um
dos piores das últimas Copas. Uma única exceção: Oliver Kahn.
Depois de ir para o Mundial de 94 como substituto de Bodo Ilgner
e, em 98, como também substituto de Koepke, ele se tornou titular
da posição.
Na Copa, tem sido tão importante que pode ser apelidado de “O
Seleção”, já que o time é limitado e o caminho à disputa do título
passa diretamente por suas mãos, que livraram a Alemanha de tomar
gols que a teriam eliminado da competição. Até agora, o
inexpugnável Kahn levou apenas 1 gol. A façanha coube a Robbie
Keane, da Irlanda. Os alemães esperam que os brasileiros não façam
melhor que isso na grande final de domingo.
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