Seleção Brasileira supera descrédito e
recupera seu prestígio no futebol
SHIZUOKA, JAPÃO - A desastrosa campanha nas
Eliminatórias rebaixou o Brasil ao segundo escalão das grandes
seleções do mundo. A imprensa de todo o planeta classificava
apenas França, Argentina, Inglaterra e Itália como favoritas na
Copa do Mundo. Nas bolsas de apostas mais renomadas, a Seleção
Brasileira aparecia em sexto lugar, atrás até da Espanha. O
descrédito era total. O mundo do futebol, contudo, também dá
voltas. E depois de cinco jogos, cinco vitórias, quinze gols
marcados e uma convincente passagem às semifinais, o Brasil
reassume seu posto de potência do esporte e favorito para
conquistar a Copa do Mundo.
A vitória de ontem, que tirou
a Inglaterra do Mundial, se refletiu imediatamente na Casa
Ladbrokes, em Londres. Antes um azarão, o Brasil passou a mau
negócio para os apostadores que mudaram de opinião com o sucesso
do time de Felipão. O título brasileiro está pagando agora
somente cinco libras esterlinas para quem deixar quatro
apostadas. Uma barbada. A Alemanha, outra elevada à condição de
favorita, está pagando bem mais: sete libras esterlinas para
duas que forem apostadas.
É claro que o fracasso das
grandes potências do futebol colaborou para a nova condição do
Brasil. Sem França, Argentina e Itália, o caminho brasileiro foi
facilitado. Nada que tire os méritos da família Felipão. A
condição de favorito, entretanto, precisa ser bem administrada.
Técnico tetracampeonato de
1994, no Estados Unidos, Carlos Alberto Parreira faz um alerta:
''Caso não se crie o espírito do já ganhou, temos grandes
chances de conquistar o penta. Só não podemos repetir o que
aconteceu em 1998, quando vencemos a Holanda e pensamos que o
título era nosso, esquecendo que tínhamos a França, dona da
casa, pela frente'', lembrou.
Treinador vice-campeão de
1998, mas o único tetracampeão do mundo no futebol, Zagallo já
entrou no clima de euforia: ''Só faltam dois'', animou-se,
lembrando a contagem regressiva de jogos que fez em 1994 e deu
sorte. ''O Brasil mostrou força, qualidade técnica e
inteligência ao jogar meia hora com um jogador a menos contra um
time como a Inglaterra. Foi a melhor apresentação'', completou.
Parreira, que está no Japão
como observador da Fifa, também ficou satisfeito: ''Finalmente a
Seleção jogou bem como um todo. Tirando a falha do Lúcio, todos
os setores fizeram uma boa partida'', analisou o treinador que,
em 1994, enfrentou descrédito e críticas como Felipão vinha
enfrentando e, sem abrir mão de suas convicções, voltou para o
Brasil com o caneco na bagagem.