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Coréia / Japão

Brasil - O favorito do mundo

 

Sábado, 22/6/2002

 

Seleção Brasileira supera descrédito e recupera seu prestígio no futebol

SHIZUOKA, JAPÃO - A desastrosa campanha nas Eliminatórias rebaixou o Brasil ao segundo escalão das grandes seleções do mundo. A imprensa de todo o planeta classificava apenas França, Argentina, Inglaterra e Itália como favoritas na Copa do Mundo. Nas bolsas de apostas mais renomadas, a Seleção Brasileira aparecia em sexto lugar, atrás até da Espanha. O descrédito era total. O mundo do futebol, contudo, também dá voltas. E depois de cinco jogos, cinco vitórias, quinze gols marcados e uma convincente passagem às semifinais, o Brasil reassume seu posto de potência do esporte e favorito para conquistar a Copa do Mundo.

A vitória de ontem, que tirou a Inglaterra do Mundial, se refletiu imediatamente na Casa Ladbrokes, em Londres. Antes um azarão, o Brasil passou a mau negócio para os apostadores que mudaram de opinião com o sucesso do time de Felipão. O título brasileiro está pagando agora somente cinco libras esterlinas para quem deixar quatro apostadas. Uma barbada. A Alemanha, outra elevada à condição de favorita, está pagando bem mais: sete libras esterlinas para duas que forem apostadas.

É claro que o fracasso das grandes potências do futebol colaborou para a nova condição do Brasil. Sem França, Argentina e Itália, o caminho brasileiro foi facilitado. Nada que tire os méritos da família Felipão. A condição de favorito, entretanto, precisa ser bem administrada.

Técnico tetracampeonato de 1994, no Estados Unidos, Carlos Alberto Parreira faz um alerta: ''Caso não se crie o espírito do já ganhou, temos grandes chances de conquistar o penta. Só não podemos repetir o que aconteceu em 1998, quando vencemos a Holanda e pensamos que o título era nosso, esquecendo que tínhamos a França, dona da casa, pela frente'', lembrou.

Treinador vice-campeão de 1998, mas o único tetracampeão do mundo no futebol, Zagallo já entrou no clima de euforia: ''Só faltam dois'', animou-se, lembrando a contagem regressiva de jogos que fez em 1994 e deu sorte. ''O Brasil mostrou força, qualidade técnica e inteligência ao jogar meia hora com um jogador a menos contra um time como a Inglaterra. Foi a melhor apresentação'', completou.

Parreira, que está no Japão como observador da Fifa, também ficou satisfeito: ''Finalmente a Seleção jogou bem como um todo. Tirando a falha do Lúcio, todos os setores fizeram uma boa partida'', analisou o treinador que, em 1994, enfrentou descrédito e críticas como Felipão vinha enfrentando e, sem abrir mão de suas convicções, voltou para o Brasil com o caneco na bagagem.

 

 

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