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Jogadas individuais garantem vitória do Brasil
6ª
feira, 21/6/2002
SHIZUOKA - Luiz Felipe Scolari disse antes da
partida contra a Inglaterra que apostava em talentos individuais
para vencer o desafio. Os gols de Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho na
vitória de 2 x 1 nesta sexta-feira mostraram que ele estava certo.
Os jogadores brasileiros levaram vantagem sobre o time de David
Beckham e Michael Owen nas jogadas individuais e deixaram o campo
classificados para a semifinal.
Em todas as jogadas perigosas da Inglaterra, a bola passava pelo
pé do capitão Beckham que, bem marcado, não ameaçou o gol de
Marcos a não ser em bolas paradas levantadas dentro da área.
Com Kléberson no lugar de Juninho, o Brasil reforçou a marcação no
meio-campo e esperou a Inglaterra na defesa. No começo, o Brasil
chegou ao ataque com os três "Rs" -- Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho
Gaúcho.
A estratégia de Felipão deu certo até os 23 minutos, e como era
temido pelos brasileiros, uma falha da defesa permitiu o gol da
Inglaterra.
A Inglaterra partiu com velocidade para o ataque e contou com a
colaboração de Lúcio. O zagueiro brasileiro matou a bola para
Michael Owen, que agradeceu o presente, ficou frente a frente com
Marcos e tocou fácil para tirar do alcance do goleiro brasileiro.
Felipão, que apostava em uma jogada individual para fazer a
diferença em campo, viu Ronaldinho Gaúcho provar a sua teoria.
Já nos acréscimos, o craque brasileiro invadiu a zaga inglesa pelo
meio e chamou a marcação. Quando tinha 4 ingleses à sua volta ele
tocou de lado para Rivaldo, que deu dois passos para trás e tocou
suave com o pé esquerdo, cruzado, no canto do goleiro Seaman.
O Brasil virou o jogo aos cinco minutos do segundo tempo em uma
jogada de bola parada. Numa cobrança de falta da direita,
Ronaldinho levantou a bola na direção do gol de Seaman e fez um
golaço. Brasil 2 x 1 e o jogo voltou a ser truncado no meio.
Tudo o que Felipão pensou poderia ir por água abaixo a partir dos
12 minutos. Ronaldinho Gaúcho, o herói da partida em campo, foi
infantil e acabou expulso. Ele deu uma entrada violenta de sola em
Danny Mills no campo de ataque do Brasil, e recebeu o cartão
vermelho.
O precavido Felipão mostrou mais um vez que os treinos surtiram
efeito. "Nós treinamos muitas vezes com 10 jogadores apenas",
disse Scolari após a partida. "As pessoas me perguntavam o motivo
e agora todos sabem a razão".
Com um jogador a menos, aumentaram os gritos de Felipão na lateral
do gramado, mas mudança no time o técnico brasileiro só fez mesmo
aos 25 minutos.
Com Edílson no lugar de Ronaldo na frente, Scolari tentou
aproveitar as jogadas de contra-ataque. A Inglaterra tentou
controlar o jogo, mas o Brasil ameaçava com velocidade e a seleção
de David Beckham foi cautelosa e não conseguiu chegar com perigo
no gol de Marcos.
O Brasil soube segurar o jogo com a posse de bola mesmo com 10
jogadores em campo e chegou a trocar passes no campo de ataque e
com a seleção inglesa recuada.
A felicidade do povo brasileiro estava em campo também com a festa
dos jogadores e com os abraços de Luiz Felipe Scolari no apito
final do juiz mexicano. "Tenho um sentimento de felicidade com um
trabalho bem feito", disse logo após a partida.
"Nunca vi um grupo de jogadores defendendo as cores do Brasil com
tanto espírito de luta", completou.
Sven-Goran Eriksson, técnico da Inglaterra, admitiu que sua
seleção poderia ter jogado melhor. "Eu esperava que tivéssemos
atuado melhor quando jogamos 11 contra 10, mas era tarde e nós
estávamos cansados", disse o treinador sueco.
"Eles foram melhores que nós ao manter a posse de bola. Acho que
isso fez a diferença", comentou. |