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Coréia / Japão

Desobediente, Edmílson marca golaço

 

5ª feira, 13/6/2002

 

Suwon, Coréia do Sul - O jogador Edmílson, do Brasil, viveu o céu e o inferno nos últimos dias em Ulsan e Suwon, na Coréia do Sul. Depois da estréia da equipe diante da Turquia, o Brasil venceu por 2 a 1, mas ele saiu de campo eleito o “culpado” pelo desacerto da defesa. Suas subidas ao ataque irritaram Felipão. Acabou sacado do time, já que a “cultura” do futebol exige que se eleja um culpado para se justificar tudo.

Edmílson não esteve em campo na vitória de 4 a 0 sobre a China. Foi substituído pelo gaúcho Anderson Polga. Mesmo assim, não desanimou. Os cartões amarelos forçaram o técnico Felipão a mexer no time mais uma vez. Roque Júnior foi sacado e Edmílson reassumiu a condição de titular diante da Costa Rica. O retorno seria monitorado. Felipão já havia dado o aviso. Queria zagueiro, zagueiro. Ou seja: destruir a jogada, tomar a posse de bola e colocá-la no pé do volante ou meia. O técnico Telê Santana definia isso como: pim-pam-pum.

Mas Edmílson tem o gene dos inconformados. Entrou em campo contra a Costa Rica buscando fazer o que sabe de melhor: destruir a jogada, tomar a posse de bola, colocá-la no pé do volante ou meia e ir à frente tentar o gol. Para Felipão, um sacrilégio. Mas o treinador teve que se render às evidências.

Logo no primeiro minuto de jogo, Edmílson mostrou que estava em campo para jogar e, se preciso, contrariar as ordens do treinador. Foi à frente articular uma jogada de ataque. Da mesma forma como fazia no Taquaritinga, no São Paulo e faz no Lyon, da França, onde conseguiu o título da temporada 2001/2002. “Não sou zagueiro, zagueiro, como o treinador quer. Meu forte está em sair com a bola dominada e tentar o ataque”, disse o zagueiro, durante a semana.

E por seguir o seu instinto, Edmílson contrariou Felipão e pode ter feito o gol mais bonito da Copa do Mundo Coréia/Japão. Aos 37 minutos, ele aproveitou um cruzamento do lateral Júnior. A bola resvalou na zaga costa-riquenha e subiu. Edmílson emendou com uma puxeta e mandou a bola sobre a cabeça do goleiro Erick Lonnis. Era o terceiro da goleada de 5 a 2 do Brasil. Um golaço que não garante a ele a posição de titular. Afinal, a desobediência deve ser punida. Deve?!!!

 

 

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