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Em frangalhos, Brasil pega
a Turquia
Domingo, 2/6/2002
ULSAN - Poucas vezes o Brasil se preparou tanto
para uma estréia de Copa do Mundo - o time enfrenta a Turquia
nesta segunda-feira, às 6 horas (horário de Brasília). Foram seis
meses de ensaio, desde o sorteio dos grupos, em dezembro do ano
passado, para enfrentar os turcos.
Neste período, Felipão formou um grupo de jogadores de sua estrita
confiança, solidificou um sistema tático (o 3-5-2), encontrou
enfim uma equipe titular e reabilitou jogadores-chaves, como
Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. Mais: dissecou o inimigo,
assistindo um sem número de vídeos e treinando os reservas ao
estilo dos turcos.
Todo esse trabalho ruiu em 3 minutos de um rachão, o treino
recreativo da vésperas das partidas, no palco do primeiro jogo. O
capitão Emerson foi escalado no gol, como uma opção para o caso de
expulsão ou contusão do goleiro Marcos, se o Brasil já tiver feito
as três substituições. Mas o perfeccionismo de Felipão saiu pela
culatra. Emerson, obcecado que é, voou num chute de Rivaldo no
banco e luxou o ombro direito.
Pronto. Bastou para toda a autoconfiança e o preparo da Seleção
ruir. Felipão ficou tão desnorteado que não sabia se pensava
primeiro em quem convocar para o lugar de Emerson, em quem escalar
no jogo contra a Turquia na vaga dele ou em quem transformar em
novo capitão.
A concentração do Brasil para a partida foi para o espaço a menos
de 24 horas para a estréia. De qualquer forma, a Seleção deve
entrar em campo com nada menos do que oito estreantes em Mundiais:
Marcos, Edmílson, Lúcio, Roque Júnior, Gilberto Silva, Juninho,
Ronaldinho Gaúcho e o próprio Felipão.
"Espero que tudo isso não atrapalhe o grupo, afinal precisamos
vencer o primeiro jogo de qualquer maneira", disse o atacante
Ronaldo, um dos "veteranos" da equipe e um dos poucos a não
mostrar total abatimento.
Em princípio, mesmo sem Emerson, a idéia de Felipão é aproveitar o
bom preparo físico do time - a exceção de Rivaldo e,
principalmente, Ronaldo - para fazer uma "blitz" de 10 em 10
minutos na partida contra os turcos.
Isso significa marcar o adversário sobre pressão, tentar tomar a
bola no ataque e marcar um gol. Para Felipão, essa é a Copa da
tática e do preparo físico; não do talento.
Por isso, é quase certo que Ronaldo, ainda sem ritmo, seja
substituído do segundo tempo e que Denilson, um dos maiores
destaques na fase de preparação, seja aproveitado na partida.
A Turquia enfrentará também um arsenal de jogadas ensaiadas. São
cobranças de escanteios, faltas e até de laterais. Treinado o time
está, resta saber com que condição psicológica o Brasil inaugurará
sua participação neste Mundial.
Do outro lado, o técnico Senol Gunes tem feito mistério e não
divulga antecipadamente a escalação da equipe. No entanto, pelo
que indicaram os últimos treinamentos, ele deve optar por uma
formação mais defensiva, com Sukur, o astro do time, isolado na
frente. Basturk, que seria o outro jogador do ataque, deve atuar
um pouco mais recuado, no meio-campo.
Além de Basturk, o treinador turco pretende contar com o meia Okan
na armação das jogadas. O atleta, que atua na Inter de Milão,
sofreu um leve estiramento na coxa direita durante o treino de
sábado, mas deve entrar em campo contra os brasileiros. Ele
passará por alguns testes horas antes da partida.
Brasil x Turquia
Local: Estádio Munsu (Ulsan)
Juiz: Young Joo Kim (Coréia do Sul)
Data: 3/6
Hora: 6h (Horário de Brasília)
Brasil
Marcos, Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva,
Juninho Paulista, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos; Rivaldo e
Ronaldo
Técnico: Luiz Felipe Scolari
Turquia:
Rüstü; Faith, Umit Ozat e Apay; Emre, Ergun, Sas, Unsal, Okan e
Basturk; Sukur
Técnico: Senol Gunes
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