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Émerson, xodó de Felipão, é cortado na véspera da
estréia
Domingo, 2/6/2002
ULSAN, Coréia do Sul - O capitão Émerson foi
cortado da seleção brasileira no domingo após sofrer uma luxação
no ombro direito durante o treino de reconhecimento do gramado do
estádio Munsu para o jogo contra a Turquia, na segunda-feira.
Émerson se machucou quando jogava no gol em um
rachão. Após um chute de Rivaldo, ele pulou no chão para tentar
defender a bola e caiu sobre o ombro.
Ele foi atendido em campo pelo médico José Luis
Runco e chegou ao hotel com o braço apoiado em uma tipóia.
"Infelizmente ele precisa de um prazo em torno
de quatro semanas para voltar a praticar futebol", anunciou Runco
após examinar o jogador.
A CBF já solicitou à Fifa a substituição do
atleta.
"Dentro do que é possível estamos solicitando a
Fifa a convocação de outro atleta. Ele passará por uma ressonância
magnética e radiografia (na segunda-feira) e após esses exames
será o feito o laudo oficial da Fifa", disse Runco.
Segundo o regulamento da Copa do Mundo, a
substituição pode ser feita até 24 horas antes da estréia da
equipe no Mundial.
SUBSTITUTOS
O Brasil joga às seis da manhã de segunda-feira
(horário de Brasília) contra a Turquia, pelo Grupo C.
Vampeta, Gilberto Silva e Kléberson são as
opções do técnico Luiz Felipe Scolari para ocupar a vaga na
partida de estréia, nesta segunda-feira, contra a Turquia.
O corintiano tem mais experiência internacional.
O estilo "pegador" do atleticano pesa a favor de sua escalação.
Mas não será surpresa nenhuma se Felipão escalar os dois e tirar o
meia Juninho do time titular para reforçar a marcação.
NÚMERO DE SORTE?
O corte de Émerson surpreendeu pela maneira
bizarra como aconteceu, após uma contusão sofrida em uma
brincadeira na última meia hora do treino de reconhecimento do
gramado.
A manchete da entrevista do jogador ao jornal O
Globo, publicada neste domingo, parece até irônica após o corte:
"Se me exceder, será para o bem da seleção", disse Émerson.
Na mesma entrevista, o jogador reconhecia estar
ansioso com a proximidade da estréia.
"Em 98, não tive a oportunidade de jogar na
estréia, mas me lembro da emoção que senti quando ouvi o hino
nacional na partida. Muita coisa mudou de lá para cá. Mas mesmo
assim, quero que a bola role de uma vez".
Émerson, que tinha total confiança de Felipão,
recebeu a camisa número sete, a preferida do treinador.
Desde a primeira vez que vestiu a camisa verde e
amarela, num amistoso contra o Equador em 1997, até o corte no
domingo após uma contusão no ombro, Émerson foi um dos jogadores
com a história mais conturbada dentro da seleção brasileira nos
últimos tempos.
Ao ganhar a condição de titular absoluto aliada
à responsabilidade de ser o capitão do time, Émerson vivia uma
tranquilidade bem diferente de quando disputou a sua primeira
Copa, na França, há quatro anos.
Na ocasião, o jogador foi convocado apenas
depois do corte do atacante Romário, também às vésperas do
Mundial. A atitude do então técnico Zagallo foi muito discutida na
época, já que ao cortar um atacante, ele chamou um volante com
fama de violento e destruidor.
Apesar de ser o último a ser chamado, Émerson,
que usou a camisa 11, mostrou muita personalidade ao entrar em
duas "fogueiras" durante o Mundial, contra a Dinamarca nas
quartas-de-final e contra a Holanda na semifinal, quando marcou na
histórica decisão por pênaltis.
Depois da Copa da França, com o bom desempenho
tanto no Bayer Leverkusen e depois na Roma, ele firmou-se como um
dos homens de confiança de todos os quatro técnicos que comandaram
a seleção.
Com Felipão, a sintonia foi ainda maior. Foi o
técnico gaúcho que lançou o jogador, em 1994, no Grêmio.
Émerson, que disputou 44 partidas pela seleção e
marcou cinco gols, era peça-chave nas jogadas aéreas do time.
Com 26 anos, ele ainda pode sonhar com a Copa de
2006, na Alemanha. A de 2002 já terminou para ele.
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