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SELEÇÃO BRASILEIRA

Coréia / Japão

Pentacampeões perderam mais tempo festejando que jogando

 

4ª feira, 3/7/2002

 

 

Os jogadores da seleção brasileira precisaram de 700 minutos em campo para conquistar o pentacampeonato mundial na Copa do Mundo de 2002 mas, para festejar o título com os torcedores no Brasil, os atletas passaram por uma maratona de 1.230 minutos, ou 20h30 de comemorações, desde a chegada à Brasília até a despedida no Sambódromo de São Paulo na quarta-feira.

"Essa maratona enfrentada pelos jogadores nesta festa equivale à fadiga proporcionada pelos 30 dias de jogos e treinos durante a Copa", disse o médico da seleção, José Luiz Runco.

O avião da delegação brasileira pousou na Base Aérea de Brasília às 10h00 de terça-feira. Os jogadores enfrentaram a alfândega, a carreata em trio elétrico até o Palácio do Planalto e receberam as honrarias do presidente Fernando Henrique Cardoso.

No Rio de Janeiro, depois de um jantar no aeroporto, os jogadores desfilaram por mais cinco horas, entre 21h00 de terça-feira e 2h00 de quarta-feira, desistindo de alcançar o bairro de Copacabana, o destino final da programação carioca, para viajar até São Paulo. A decisão revoltou alguns torcedores, que apedrejaram o ônibus da delegação.

Em São Paulo foram recepcionados pelo governador Geraldo Alckmin e pela prefeita Marta Suplicy às 4h no aeroporto internacional de Guarulhos. Dali sete jogadores foram conduzidos até o Sambódromo da cidade para desfilar em carro de bombeiros entre 6h e 6h30.

Com oito horas de atraso, sete jogadores da seleção foram homenagear os cerca de 2.000 paulistas que esperavam pela festa no Sambódromo do Anhembi. Exaustos, Cafu, Roberto Carlos, Belletti, Ricardinho, Kaká, Marcos e Denílson, chegaram às 6h e fizeram a comemoração mais curta: 30 minutos.

"Encontramos um adversário mais difícil de enfrentar, o cansaço", disse Kaká.

Antes da chegada da seleção em Brasília, na terça-feira, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) planejava que a seleção chegasse à São Paulo por volta das 21h, depois de uma maratona de desfiles em Brasília e no Rio de Janeiro.

Alguns atletas do elenco nem chegaram a viajar ao Rio. De Brasília, Vampeta, Dida, Júnior e Edílson desligaram-se da delegação para festejar com suas famílias na Bahia. Lúcio ficou em Brasília e Gilberto Silva foi para Belo Horizonte desfilar solitário em carro de bombeiros.

Ronaldinho Gaúcho e o técnico Luiz Felipe Scolari voaram do Rio para Porto Alegre.

Rivaldo não desfilou no Rio. O jogador viajou de surpresa para São Paulo e depois seguiu para Mogi Mirim. Roque Júnior e Rogério Ceni também não participaram do desfile carioca. Juninho Paulista desistiu do desfile paulistano e foi para casa assim que desembarcou em Guarulhos.

RIO DE JANEIRO

A delegação brasileira decidiu encerrar a festa no Rio de Janeiro depois de cinco horas desfilando em trios elétricos pelas ruas. O percurso começou na cidade por volta das 21h, seis horas depois do previsto e duas horas depois de ter desembarcado no Rio, vinda de Brasília.

Os jogadores percorreriam um trajeto de 27 quilômetros -- do aeroporto internacional até a praia de Copacabana -- mas quando a carreata chegou à praia do Botafogo, às 2h, o cansaço falou mais alto.

Faltavam cerca de 10 quilômetros, o que levaria de duas a três horas.

"Gente, me desculpa. Já estamos há horas nestas festividades, os jogadores estão muito cansados e eu preciso levá-los para casa", disse o técnico Luiz Felipe Scolari à multidão.

Alguns torcedores chegaram a chutar e atirar objetos contra a ônibus da seleção. Várias janelas foram quebradas.

Apesar do atraso e do desfalque de alguns jogadores, mais de um milhão de cariocas foram às ruas para cumprimentar os jogadores que conquistaram o pentacampeonato mundial na Ásia.

A festa foi embalada por vários ritmos musicais, incluindo pagode, axé, tecno e música popular brasileira.

BRASÍLIA

O presidente Fernando Henrique Cardoso distribuiu a medalha de honra ao mérito os jogadores da seleção brasileira na rampa do Palácio do Planalto, às 15h, depois de quase cinco horas de atraso.

"Estou feliz, estou muito contente. Igual ao Brasil, que é só alegria", disse o presidente Fernando Henrique Cardoso depois de seu encontro com os jogadores.

A subida da rampa do Palácio do Planalto se transformou em palco para as brincadeiras dos jogadores. Vampeta, logo depois de ter recebido a medalha do presidente Fernando Henrique Cardoso, deu cambalhotas pela rampa e quase despencou. Roberto Carlos brincou com o público e ameaçou jogar a taça do pentacampeonato em direção aos torcedores.

O salva-vidas Izael Andrade faltou ao trabalho para poder prestigiar a seleção. Para isso, chegou à região próxima ao Planalto às 7h15 da manhã.

"Gostei muito da festa, mas fiquei aborrecido com a demora da chegada da seleção."

Quando a cerimônia oferecida pelo presidente terminou, os jogadores dançaram ao som do grupo afro-baiano Olodum antes de embarcarem no ônibus que deveria levá-los de volta à Base Aérea de Brasília.

Mais de 500 mil torcedores se espalhados entre o Eixo Rodoviário, a praça dos Três Poderes e a Esplanada dos Ministérios para vê-los. Enquanto isso, a esquadrilha da fumaça fazia uma exibição sobre o Congresso Nacional escrevendo no céu a frase "É Penta".

A CHEGADA AO BRASIL

O Boeing 767 da Varig com a delegação da seleção brasileira pousou pouco antes das 10h00 na Base Aérea de Brasília, no Lago Sul.

O capitão Cafu e o técnico Luiz Felipe Scolari balançaram a bandeira do Brasil da cabine do piloto, quando o avião ainda estava em movimento na pista.

Cafu foi o primeiro a pisar em solo brasileiro, às 10h15, segurando a taça de campeão do mundo. Logo atrás dele, vieram Scolari e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBR), Ricardo Teixeira, segurando a bandeira brasileira.

A seleção brasileira pentacampeã foi a primeira na história a desfilar em trio elétrico da cervejaria Ambev, patrocinadora do time. Eles preferiram ficar no caminhão ao lado do trio da cantora Ivete Sangalo.

Isso gerou polêmica porque, no Dia dos Bombeiros, a seleção acabou não subindo no carro da corporação preparado para ela, o que decepcionou os profissionais. O mesmo carro havia levado as seleções campeãs de 1970 e 1994.

 

 

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