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Escolta de caças emociona jogadores
3ª
feira, 2/7/2002
Brasília
- A preguiça imperava entre os passageiros do histórico vôo RG
9585, que trouxe a equipe pentacampeã mundial de futebol, na manhã
desta terça-feira, poucos minutos antes do desembarque na base
aérea de Brasília. Depois de 25 horas de viagem, que começou no
início da noite de segunda-feira, em Tóquio, e teve uma escala em
Los Angeles, uns demonstravam cansaço por não ter conseguido
dormir. Outros, por ter dormido, mas de forma precária, por causa
do desconforto natural da longa jornada.
Contudo, um momento em especial fez com que todos despertassem
rapidamente e se aglomerassem nas pequenas janelas do avião: a
aproximação dos caças Mirage, da Força Aérea Brasileira (FAB).
Cinco aparelhos fizeram a escolta do avião da seleção brasileira
durante, aproximadamente, 20 minutos. Conduziram um sobrevôo sobre
a capital e se mantiveram lado a lado até a aproximação final para
o pouso, quando houve a dispersão.
Assim que se colocaram emparelhados e próximos ao Boeing 767, o
piloto do caça líder, pintado com as cores da bandeira nacional e
a parte da frente preta, comandante Almeida, saudou a delegação e
os passageiros. Por meio do sistema de som interno, disse que era
um privilégio da Força Aérea escoltar a equipe que trazia o quinto
título mundial para o futebol brasileiros. "Vocês são verdadeiros
heróis", afirmou.
Nem mesmo os tripulantes, acostumados com os acontecimentos a
mais de 10 mil metros de altitude, não se contiveram. A exemplo
dos demais ocupantes das poltronas, sacaram suas câmeras
fotográficas e filmadoras para registrar o atípico momento. Quem
teve trabalho foi o comandante Zanbon, no comando do vôo da Varig.
Em um tom diferente, mais informal, deu a famosa orientação aos
passageiros. "Gente, vocês precisam voltar aos assentos e apertar
os cintos (de segurança)", disse. "O avião vai pousar com uma
velocidade de 300 km/h e isso pode representar um tombo." Pouco
antes disso, o técnico Luiz Felipe Scolari protagonizara uma cena
que emocionou os presentes. Inaugurou o painel que estreava a
quinta estrela sobre o escudo da Confederação Brasileira de
Futebol (CBF).
Bagunça - Além da banda de música, das pessoas falando
português e da festa, outro detalhe fez com que a delegação se
sentisse em território brasileiro: a bagunça, a desorganização.
Surpresos com a anunciada presença de jornalistas e convidados,
responsáveis pela segurança da Base Aérea de Brasília se mostravam
perdidos. "Não sabíamos que tinha tanta gente a bordo", dizia um
deles. "Pensávamos que fossem apenas os jogadores e uma equipe da
Rede Globo." Para piorar, muitas pessoas que não tinham nada o que
fazer nas pista, se aglomeravam para tentar tirar fotos ou pegar
autógrafos. Filhos de políticos e oficiais do exército e da
aeronáutica acompanhavam o parente oficial na área restrita.
Soldados colocados para delimitar o corredor pelo qual passariam
os pentacampeões não conseguiam manter seus respectivos postos. E
a razão não eram as pessoas que pressionavam, mas sim o ímpeto de
alguns em voltar para a casa com um autógrafo.
O lateral-direito Cafu, capitão, foi o primeiro a descer.
Sempre acompanhado da taça que ergueu no domingo no estádio de
Yokohama. Na seqüência vieram os demais atletas e integrantes da
comissão técnica. Entre eles, os que mais chamaram a atenção foram
Marcos e Denílson, que pediam ao presidente da CBF, Ricardo
Teixeira, para que mantivesse Scolari no cargo. Já Rivaldo não
escondia a satisfação. "Em uma hora dessa, a cansaço desaparece.
Além disso, todo mundo está falando que a festa agora, em 2002,
está muito maior do que em 1994 (conquista do tetra)."
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