A volta do fenômeno
Ronaldo
superou as contusões
mais
ferozes e renasceu nos campos da Ásia,
para terror dos goleiros adversários
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O
craque voltou sem receio das jogadas duras e perseguiu o gol
com o faro e o empenho dos primeiros anos de carreira
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A vitória da seleção brasileira em Yokohama
fez o atacante Ronaldo nascer de novo. Logo depois do inacreditável
fracasso na Copa da França, em 1998, ele anunciou: "O penta é
uma obsessão em minha vida". O atacante estava sob o impacto
da convulsão sofrida na concentração do Brasil, no Château de
Grande Romaine, e da derrota vexatória para a seleção francesa.
Agora ele faz as contas de mais conquistas: herói
do penta e brasileiro recordista em gols feitos em Copa (doze, ao
lado de Pelé).
Entre a final em Saint-Denis e o início da Copa
2002, a vida de Ronaldo passou por tamanhas reviravoltas que esse
sonho chegou perto do impossível. O atacante viveu um novo suplício
público em abril de 2000, quando o ligamento do joelho direito se
rompeu em plena final do campeonato italiano. O craque urrou de dor
e rolou pelo gramado do Estádio Olímpico de Roma, enquanto os
torcedores, perplexos, assistiam a tudo mergulhados num silêncio
aterrador. Foi operado e permaneceu dezessete meses afastado das
partidas oficiais, período em que enfrentou infindáveis sessões
de fisioterapia para a perna doente e muita frustração. O quadro
era dramático, e alguns médicos especularam que Ronaldo jamais
voltaria a jogar como antes.
Aos 25 anos, casado e pai de Ronald, um menino
de 2 anos, Ronaldo mostrou na Coréia e no Japão que esses reveses
ficaram no passado. Nas eliminatórias da primeira fase já exibia a
magia e a eficiência de seu futebol arrasador. Nas primeiras quatro
partidas já contabilizara cinco gols, mais do que fez nos sete
jogos da campanha da França.
Não teve receio de entrar em jogadas
duras e continuou perseguindo o gol com o faro e o empenho aguçado
dos primeiros anos de carreira. Foi o que fez duas vezes, mostrando
superioridade sobre o mito alemão, o goleiro Oliver Kahn.
Além de craque, Ronaldo cultiva a imagem de
bom moço e passa longe das encrencas e dos achaques em que outros
medalhões do futebol costumam enroscar-se. Superou episódios
espinhosos, como a indignação da opinião pública brasileira
quando comprou uma Ferrari de 400 000 reais e torrou 20 000 reais em
bugigangas importadas nas lojas de Ciudad del Este, no Paraguai.
Também saiu com a reputação incólume de um escândalo alimentado
pela imprensa sensacionalista italiana, em que era vinculado a uma
rede de prostituição e tráfico de drogas na Itália, em 1999. O
Ronaldo idolatrado pelos torcedores é o rapaz que nasceu no subúrbio
de Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro, e fatura mais de 15 milhões de
dólares por ano.
É o esportista nomeado pela ONU Embaixador da
Boa Vontade contra a Pobreza e incursiona por lugares como Kosovo
para dar alegria e exemplo às crianças. É o craque que finalmente
pode enfileirar o título de pentacampeão do mundo ao lado dos de
campeão mineiro de 1994, campeão mundial de 1994, campeão da Copa
da Holanda em 1996, melhor jogador do mundo em 1996 e 1997, campeão
da Recopa de 1997, melhor jogador do campeonato Europeu de 1997,
campeão da Copa Uefa de 1998 e campeão da Copa América de 1999.
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