MARCOS
O verdadeiro
Kahn
A
torcida acostumou-se a ver o goleiro
rezar antes do apito inicial e realizar
milagres durante as partidas
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O
goleiro brasileiro salvou o Brasil na final: destaque numa
posição em que os europeus são as estrelas
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A final da Copa foi anunciada como a
disputa entre o ataque brasileiro e o goleiro Oliver Kahn. O alemão
jogou bem, mas o muro de Berlim estava do outro lado: Marcos Roberto
Silveira Reis, o "São Marcos".
Católico fervoroso,
Marcos segue alguns rituais nos jogos. Pouco antes do início de
cada partida, o goleiro fica alguns segundos estático sobre a linha
do gol, fazendo uma série de orações. Quando tudo termina, ele se
ajoelha na pequena área, abre os braços e agradece a Deus a vitória.
Para a torcida, os milagres ocorrem quando as mãos de "São
Marcos" impedem os atacantes adversários de balançar a rede.
Que o digam os atacantes belgas, que bombardearam inutilmente a meta
brasileira nas oitavas-de-final.
Sua atuação foi ainda mais
impressionante na partida final e poderia ser resumida na defesa que
fez de um tiro de canhão disparado pelo atacante alemão Neuville.
Depois de saltar e se esticar todo, tocou na bola com a ponta dos
dedos, o suficiente para desviá-la e fazê-la explodir na trave.
Sua escalação entre os titulares foi uma
aposta pessoal do técnico Luiz Felipe Scolari. Às vésperas do
Mundial, os reservas Dida e Rogério estavam em melhor fase. Marcos,
porém, já havia conquistado a confiança do treinador quando
trabalhou com ele no Palmeiras, há três anos, época em que o
clube foi campeão da Taça Libertadores da América. Na campanha
vitoriosa, o goleiro firmou-se como um dos melhores do país com uma
série surpreendente de defesas, inclusive nas temidas disputas por
pênaltis.
Com uma calvície precoce que o faz parecer
mais velho que seus 28 anos, o goleiro é um sujeito caseiro que
gosta de colecionar bonés e se emociona com os sucessos da música
sertaneja. Esse hábito vem de sua infância, passada na cidade de
Oriente, no interior paulista.
Antes de jogar futebol, ele trabalhou
em plantações e numa usina de açúcar. Aos 18 anos, largou essa
rotina para iniciar a carreira que o consagraria como um dos
melhores goleiros do Brasil -- e, agora, do mundo.
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