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Pérolas do Felipão: Frases proféticas e curiosas

 

17/6/2002

 

Hamamatsu, Japão - Quase 50 dias após o início da Copa do Mundo, o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, já coleciona frases proféticas e curiosas em suas entrevistas na Coréia do Sul e Japão. Entre as previsões do treinador, muitas foram um verdadeiro fracasso. Em outros momentos, o "pensador" Felipão soltou frases como: "Se não tomarmos gol, teremos 60% de chances de vitória".

“O Ronaldo tem condições de jogar 70 ou 75 minutos por jogo”, disse Felipão, após a partida de estréia contra a Turquia, tentanto justificar a razão de ter substituído o atacante no segundo tempo. Ronaldo, desde então, já garantia estar apto a ficar os 90 minutos em campo, fato mais do que comprovado. O gol contra a Bélgica, por exemplo, foi marcado a três minutos do fim da partida.

Antes da rodada decisiva da primeira fase, o treinador ainda resolveu dar um palpite sobre algumas equipes rivais. “Tradição, qualidade técnica e a experiência acumulada com as dificuldades nos primeiros jogos serão a vantagem de Argentina, França e Itália para a última rodada. Todos conseguirão a vaga”, previu.

Apenas os italianos se salvaram. E por pouco. Argentina e França voltaram para a casa mais cedo e Felipão resolveu se explicar. “Errei o palpite e não tenho mais nada a dizer. Não tenho nada a ver com a França”, afirmou, então.

Às vésperas do duelo contra a China, a frase foi esta: “Se para vocês (jornalistas) não é, para nós (comissão técnica), a China é uma equipe forte.” Com 9 gols sofridos, quatro deles para os brasileiros, e nenhum marcado, os chineses fizeram uma das piores campanhas do Mundial.

Além de previsões erradas, Felipão não teve sorte em outras circunstâncias. Dias antes da estréia, o treinador foi a uma igreja da Coréia do Sul rezar. “Não vim aqui para pedir nada; só agradecer”, contou. Entre os agradecimentos, o de nenhum atleta ter-se machucado. Algumas horas depois, o volante Émerson, com uma luxação no ombro, foi cortado da seleção.

Há também aquelas frases que assustam um pouco o torcedor brasileiro, sempre na esperança de ver um futebol empolgante. Frases como “Já passou o tempo de jogar bonito. Não é preciso ter criatividade, mas, sim, fazer gols” ou “Ainda espero ensinar os zagueiros a jogar como zagueiros”.

A lista de Felipão ainda inclui frases engraçadas. “Nunca me imaginei dirigindo a seleção brasileira numa Copa do Mundo. Outras seleções, sim, mas admito que perdi tempo não pensando nisso antes”, falou, certa vez. Um pouco confusa, não? Ou “Quem ficou na Copa do Mundo tem mais condições do que aqueles que saíram. Portanto, daqui para a frente, os jogos serão mais difíceis.” Um pouco óbvia.

Ao comentar o “teatro” de Rivaldo contra a Turquia, Felipão chegou a justificar que “Rivaldo levantou a mão para se proteger da bola”. Muito empenho em absolver seu atleta apesar de as imagens da televisão terem denunciado para o mundo todo a simulação do jogador brasileiro. Rivaldo, ao receber uma bolada nas pernas de Hakan Unsal, levou mãos ao rosto. O turco foi expulso.

A frase mais curiosa de Felipão, no entanto, ficou reservada para a coletiva da última terça-feira. Perguntado sobre a Inglaterra, o treinador garantiu saber tudo sobre o rival das quartas-de-final e citou um exemplo do trabalho de observação: “O Murtosa (auxiliar) disse, há quatro meses, que a Inglaterra seria uma das finalistas.” Para isso acontecer, porém, o Brasil teria de ser eliminado antes. Será que alguém já avisou o Felipão?

 

 

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