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O jogo
da emoção
O
quarto jogo
Brasil 4 x 2 Peru (Jogo Nº 439 da
Seleção)
Data: 14/6/1970 - Quartas-de-final
Local: Estádio Jalisco
Cidade: Guadalajara (México)
Público: 54.233
pessoas
Árbitro: Vital Loraux (Bélgica)
Brasil
Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Marco
Antônio; Clodoaldo e Gérson (Paulo César Caju); Jairzinho
(Roberto Miranda), Tostão, Pelé e Rivelino.
Técnico: Zagallo
Peru
Rubiños, Eloy Campos,
Fernández, Chumpitaz e Fuentes; Challe e Mifflin; Baylón (Sotil),
Perico León (Reyes), Cubillas e Gallardo.
Técnico: Didi
Gols: Rivelino (11'), Tostão (15') e Gallardo (29') do 1o.T.;
Tostão (6'), Cubillas (25') e Jairzinho (30') do 2o.T.
Cartões amarelos:
Nenhum
Nem o
ex-craque Didi, que comandava a Seleção Peruana, foi capaz de parar
o Brasil. A vaga na semifinal veio com uma vitória por 4 x 2
O Brasil
jogou sempre com o gênio de Gérson e Tostão para superar as falhas
de seu goleiro. A torcida fazia fé, por isso entrou e saiu em festa.
Sem
correr mais que o necessário, certo de que a qualquer momento
poderia mudar o ritmo do jogo, partindo para o gol com frieza e
decisão, o Brasil esbanjou categoria para vencer por 4 x 2 o ótimo
time do Peru, que foi vítima de um azar que Didi nunca escondeu
temer: ter de armar os peruanos contra o time da camisa amarela, uma
camisa que ele cobriu de glórias em 1958 2 1962 2 à qual deu toda a
dimensão de seu gênio.
Os primeiros minutos do
jogo foram disputados com os jogadores bastantes nervosos, com
muitos passes errados, mas o Brasil um pouco melhor que adversário.
Depois de perder dois gols, afinal o Brasil o Brasil abre a
contagem, quando Tostão faz o pião à frente do gol e rola a bola
para Rivelino. Aos 15 minutos é a vez de Tostão - quem disse que ele
não poderia jogar ao lado de Pelé? - mostrar toda a sua
agressividade. Entra pela esquerda, chuta rasteiro, Rubiños falha e
o Brasil marca o segundo gol.
Todo o Brasil joga bem,
embora Jairzinho perca muitas jogadas individuais. O Brasil diminui
o ritmo, e o Peru se aproveita para tentar diminuir. Afinal, aos 27
minutos, Gallardo chuta da linha de fundo, Félix falha e o Peru
marca. O Brasil troca passes, procura esfriar o jogo, enquanto o
Peru ataca a todo vapor. Apesar disso, o primeiro tempo, em cima dos
45 minutos, termina com um chute de Pelé, rente ao travessão.
O Brasil, que terminara o
primeiro tempo cozinhando o adversário, volta decidido a aumentar a
vantagem e aperta o ritmo. Duas oportunidades se sucedem; na
terceira, Tostão completa uma jogada de Pelé: 3 x 1. Aos seis
minutos, está tudo praticamente decidido. Os brasileiros continuam
jogando bem e Didi faz duas substituições, mas elas não chegam a
modificar o panorama da partida.
Aos 22 minutos, Paulo
César entra no lugar de Gérson. O Brasil é um time tranqüilo, que
procura controlar o adversário e se poupa ao máximo possível. Mas
aos 25 minutos, depois de uma confusão na área do Brasil, Cubillas
chuta forte e marca o segundo gol peruano. A reação do Brasil é
imediata: aos 30 minutos, Jairzinho marca o quarto gol do Brasil -
escore mais coerente com o que acontecia em campo.
Logo depois, Jairzinho,
muito cansado , é substituído por Roberto. Com a vitória garantida,
apesar da luta dos peruanos, o Brasil troca muitos passes e apenas
procura o gol em lançamentos longos, já que mantém sempre sete
homens em seu próprio campo.
Tostão,
a "Maravilha Branca"
E agora? Antes da Copa,
havia quem dissesse que Tostão e Pelé não podiam jogar juntos. Não
era uma posição contra Pelé. Era contra o mais fraco: Tostão, o moço
que então fazia um comovente esforço, com a compreensão de João
Saldanha, para provar que, depois do deslocamento da retina, não
estava acabado. Era uma atitude covarde, que foi encampada pelo
próprio Zagallo. Ele só não barrou a "Maravilha Branca" porque a
opinião pública impediu.
E Tostão mostrou que
tinha que entrar: abriu espaços para Pelé, Jair e Rivelino, deu
passes geniais. Quando marcou os gols contra o Peru, o destino fez
um desagravo ao grande injustiçado da Seleção.
Foi realmente uma tarde
de Tostão. Um lutador, um homem com o coração maior do que o de todo
o mundo, e uma coragem que poucas vezes se viu dentro de um campo.
Tostão volta a ser, a partir do jogo contra o Peru, o segundo
jogador do futebol brasileiro: ele nunca jogou tanto quanto domingo,
depois que foi operado.
Maior que ele, só Pelé. |