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A
estréia das feras
O
primeiro jogo
Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia (Jogo Nº 436 da
Seleção)
Data: 3/6/1970 - Oitavas-de-Final
Local: Estádio Jalisco
Cidade: Guadalajara (México)
Público: 52.897
pessoas
Árbitro: R. Barreto (Uruguai)
Brasil
Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e
Everaldo; Clodoaldo e Gérson (Paulo César Caju); Jairzinho, Tostão,
Pelé e Rivelino.
Técnico: Zagallo
Tchecoslováquia
Viktor, Dobias, Horvath,
Migas e Hagara; Hrdlicka (Kvasnak) e Kuna; Frantisek Vesely (Bohumil
Vesely), Petras, Adamec e Joki.
Técnico: Josef
Marko
Gols: Petras (11') e Rivelino (24') do 1o.T; Pelé (15'),
Jairzinho (18') e (38') do 2o.T.
Cartões amarelos:
Tostão, Gérson e Horvath
A
Seleção que saiu do Brasil desacreditada começa a Copa levando um
gol. Só depois viria a virada contra os tchecos e contra o
descrédito.
A
Tchecoslováquia teve seus momentos de glória e de fé, mas foram
apenas alguns instantes de sonho e ilusão.
Logo
depois nossos artistas iriam mostrar quanto é grande nosso futebol,
capaz de emocionar milhões de pessoas em apenas 90 minutos.
Um
jogo bonito, sem violência, com muita malícia, dribles e gols.
Depois os aplausos dos torcedores, os elogios de todos os
jornalistas e a alegria de todo o Brasil.
Fizemos quatro, pois,
erramos pouco e Pelé mostrou que ainda é o Rei. E outra grande
figura: Gérson e seu heroísmo, Gérson e seu futebol, Gérson e o
choro triste por ter que sair de campo aos 25 minutos do segundo
tempo.
Começamos tomando um gol.
Aos 11 minutos, Brito bateu um impedimento para Clodoaldo, que
estava de costas. Petras driblou Carlos Alberto e Brito, e na saída
de Félix chutou bem. Petras ajoelhou-se para agradecer o gol. Fez o
sinal-da-cruz e recebeu os abraços. Foi um dos gestos mais lindos de
todas as Copas.
O empate chegou aos 24
minutos. Pelé foi derrubado por Migas, Rivelino se colocou. A
barreira tinha sete jogadores e Jairzinho. Rivelino fez a pontaria
em cima de Jairzinho, correu e chutou, Jairzinho saiu e a bola
entrou no gol. O Brasil ficou no ataque, com Tostão deslocando-se
sempre. Tostão explica:
- Entrei para atrair o líbero e dar espaço para Pelé e Jairzinho
jogarem. Desta vez não entrei para fazer gol.
Começou o segundo tempo.
Migas sempre junto com Tostão. Aos 15 minutos Gérson vê Pelé 40
metros na frente. Joga-lhe a bola. Pelé deixa a bola bater e descer
pelo corpo, engana Horvath, escolhe o canto. É nosso segundo gol.
Outra vez Gérson, de 40
metros. Só que agora são 18 minutos e quem recebe é Jairzinho. Ele
encobre o goleiro, deixa a bola bater no peito e depois chuta. Foi o
gol mais bonito desta Copa.
E veio o quarto:
Jairzinho driblou Hagara, Horvath, outra vez Hagara e colocou no
canto. Aos 38 minutos, 4 x 1.
O respeito dos jogadores
pôde ser visto várias vezes. Quando Migas derrubou Pelé, com um soco
no fígado, dois tchecos ficaram ao lado, braços levantados, até Pelé
ser atendido. E no fim do jogo, o abraço emocionado de Adamec em
Pelé, antes da troca de camisas. E os nossos novos torcedores, os
tchecos (quem fala é Horvath, o capitão):
- Pelé e o Brasil são espetaculares. Se jogarem assim já são os
campeões.
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