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A Taça
é nossa para sempre
O sexto
e último jogo
Brasil 4 x 1 Itália (Jogo Nº 441 da
Seleção)
Data: 21/6/1970 - Final
Local: Estádio Azteca
Cidade: Cidade do México (México)
Público: 107.412
pessoas
Árbitro: Rudi Gloeckner (Alemanha Oriental)
Brasil
Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e
Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino.
Técnico: Zagallo
Itália
Albertosi, Burgnich,
Cera, Rosato e Facchetti; De Sisti, Bertini (Juliano) e Mazzola (Rivera);
Domenghini, Boninsegna e Riva
Técnico: Ferruccio
Valcareggi
Gols: Pelé (18') e Boninsegna (37') do 1o.T.; Gérson (20'),
Jairzinho (25') e Carlos Alberto (42') do 2o.T.
Cartões amarelos:
Nenhum
Dois
Bicampeões Mundiais frente a frente. Sul-Americanos e Europeus
decidindo quem eram os verdadeiros reis do futebol. Para muitos a
Final da Copa de 70 foi o jogo do século. Se for assim, o implacável
4 x 1 para o Brasil só mostrou que o Século XX foi nosso.
Quatro
gols, a maior garra do mundo, um futebol técnico, compassado e
esmagador. Foi fazendo tudo isso, orientados pela calma de Gérson e
a genialidade de Pelé, que os nossos 11 jogadores conseguiram
arrasar a Itália - um time que nos criticava - e trazer para cá, e
para sempre, a Jules Rimet.
Estamos
a um passo da eternidade.
Dos pés, da inteligência,
da garra de 11 homens de camisa amarela dependerá chegarmos à glória
ou ficarmos um pouco distantes dela.
E a guerra para dar esse
passo já começou para els e para nós. Eles, calmos, guardando o
campo de defesa nos primeiros minutos ou partindo com a rapidez de
um relâmpago e a precisão de um computador para um contra-ataque.
O esquema inicial já foi
mostrado. Jair aberto, o resto do ataque caindo mais para a
esquerda, deixando nosso ponta para um duelo isolado com Facchetti.
Tostão procura jogar em cima do líbero, Clodoaldo vigia Mazzola.
Carlos Alberto aproveita bem as deslocações de Rivelino para o outro
lado do campo e sobe para apoiar o ataque, embora cometa o erro de
cruzar a bola da intermediária, em vez de ir até a linha de fundo.
Aos 11 minutos, o Brasil
dá uma pequena demonstração de sua força: Carlos Alberto sobe e bate
com força, rasteiro, Albertosi defende, segura firme. Depois disso,
vem uma modificação no nosso time: Jair cai para o meio e Facchetti,
inocentemente, acompanha. O corredor para Carlos Alberto fica mais
livre.
Mas essas subidas,
deixam, também, um claro em nossa defesa, que Riva aproveita para
subir, obrigando Brito e Clodoaldo a cobrirem a lateral direita. E
Riva (que ia acabar com as pretensões da "ridícula Seleção
Brasileira") mostra apenas que era muita pretensão dos italianos
chamá-lo de "rei do futebol".

O jogo vai indo mais ou
menos igual. Dezessete minutos: Tostão consegue um lateral. Ele
mesmo bate para Rivelino, que cruza muito alto. Mas não tão alto que
a cabeça do maior jogador do mundo não possa alcançar: Pelé sobe
muito mais que Facchetti e cabeceia no chão - uma cabeçada que mais
parece um chute, de tão forte e tão perfeita. Brasil 1 x 0.
No Estádio Azteca desce
um velho e supersticioso medo: a história não registra uma única
vitória em final de Copa do time que tenha feito o primeiro gol.
Mas uma velha alegria e
uma certeza baixam sobre o Rio de Janeiro: a Escola de Samba Estação
Primeira de Mangueira desce o morro em direção à cidade.
A bola desce e sobe no
Azteca, com o público além de sua lotação normal. Pelé se prepara
para bater uma falta pela esquerda (o Brasil está errando muitas). O
Rei do Futebol finge que vai chutar, rola para a entrada de
Rivelino. Pobre Rivelino, está nervoso e mal nesse jogo - escorrega,
adianta a bola e perde o lance, quase dentro da pequena área.
Aos 28, outra falta -
Rivelino chuta longe. E aos 37, o medo aumenta: Clodoaldo fica
confiante demais, vai dar um passe de calcanhar na nossa
intermediária, a bola vai ao peito de Mazzola, que marcha rumo ao
nosso gol. Brito divide com ele, mas Félix vai parar lá na meia-lua
e Boninsegna rola para o nosso gol: 1 x 1.
E o medo vai aumentando,
porque o juiz alemão vai roubando escandalosamente o Brasil. Vai
acabar o primeiro tempo. Rivelino cruza para Pelé, a bola ainda está
no ar, vai cair nos pés de Pelé, na entrada da pequena área.
Incrível: Pelé faz o gol, mas o juiz apita o fim do primeiro tempo
faltando sete segundos.
Os 11 brasileiros voltam
para o segundo tempo com a cabeça levantada, com um único
pensamento: ganhar a Copa, nem que isto lhes custe as próprias
cabeças. A Seleção volta mais agressiva: Carlos Alberto corre até à
linha de fundo, cruza, Tostão chega atrasado.
Cinco minutos: volta a
gigantesca sombra do juiz: Pelé é seguro por Rosato dentro da área,
o lance continua.
Seis minutos: falta que
Rivelino vai bater na intermediária.
- Agora vai, pensa a torcida.
O Brasil já perdeu muitas
faltas, mas essa vai no ângulo, num chute certeiro e forte. Aparece
Albertosi.
Sete minutos, outra
falta. esta sobre Pelé, batida por Pelé, mas o chute sai torto,
muito alto, indigno dos pés do Rei.
Jair anda sumido. São 20
minutos, lá vai ele agora com a bola, pelo meio, lutando. Perde. Lá
vai Gérson, recupera, cai pela esquerda, chuta no canto e o Azteca
explode. Com ele, 90 milhões de brasileiros gritam e pulam - 2 x 1.
Aos 22, Pelé é agredido
sem bola por Bertini. O lance prossegue com Pelé rolando de dor, mas
à entrada da área do Brasil aparece milagrosamente, saindo não se
sabe de onde, Brito - um dos melhores da defesa - para atrressar o
italiano e tirar-lhe a bola.
Agora são 25 minutos: os
italianos atacam, não há ninguém tranqüilo - a não ser aqueles 11
homens de amarelo. Gérson lança lança alto na área, Pelé sobe e vê
mais que todo mundo: é Jair entrando. E a bola não tem outro rumo:
Jair, 3 x 1.
A Rede Unida de TV entra
no ar com o fundo musical de "Salve a Seleção".
Faltam três minutos para
colocarmos a mão no caneco. Pelé rola na continha para Carlos
Alberto - sai uma cacetada na bola, rasteira. Brasil, 4 x1.
Carlos Alberto acaba de
lavar suas mãos para receber, para sempre, essa Taça que ninguém
mais vai ter.
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