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As
lições que a Romênia deu
O
terceiro jogo
Brasil 3 x 2 Romênia (Jogo Nº 438 da
Seleção)
Data: 10/6/1970 - Oitavas-de-Final
Local: Estádio Jalisco
Cidade: Guadalajara (México)
Público: 50.804
pessoas
Árbitro: Ferdinand Marschall (Áustria)
Brasil
Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Fontana e
Everaldo (Marco Antônio); Piazza e Clodoaldo (Edu); Jairzinho, Tostão,
Pelé e Paulo César Caju.
Técnico: Zagallo
Romênia
Adamache (Raducanu),
Satmareanu, Lupescu, Dinu e Mocanu; Dumitru, Dumitrache (Tataru) e
Nunweller, Dembrovski, Neagu e Lucescu.
Técnico: Angelo
Niculescu
Gols: Pelé (19'), Jair (21') e Dumitrache (34') do 1o. T.;
Pelé (24') e Dembrovski (38') do 2o.T.
Cartões amarelos:
Dumitru e Mocanu
No
último jogo das oitavas-de-final (primeira fase), o que menos
importou foi a vitória. Mais útil foi reconhecer os erros que
precisavam ser corrigidos.
O Brasil
fez dois gols na Romênia, brincou com a Romênia, humilhou a Romênia
de tal forma que a Romênia ficou zangada e quase empatou o jogo.
Essa foi a primeira lição que tomamos.
De
que adianta todo o brilhantismo de nosso ataque, se a escuridão
cobre toda a nossa defesa? Depois da fraca vitória de 3 x 2 sobre a
Romênia, essa passou a ser a pergunta principal de todos os críticos
estrangeiros que estavam no México, passou a ser a pergunta do povo
mexicano, que antes torcia desesperadamente por nós, e é a pergunta
de nossa própria torcida.
Quando o Brasil estava de
posse da bola, no ataque, o Estádio Jalisco se levantava, os
comentaristas elogiavam e nossa torcida vibrava - era a autêntica
nata do futebol-arte sul-americano demonstrando sua força. Quando os
brasileiros perdiam a bola, os críticos atacavam nossa defesa, o
Estádio Jalisco gritava pelo nome de Dumitrache e nossa torcida
ficava como o coração na mão, pensando no possível chute a gol - e
no nosso gol estava Félix, com toda a sua insegurança e suas
desastrosas saídas.
O jogo contra a Romênia
serviu também para chamara a atenção de todo mundo para uma velha
mania dos brasileiros que, contra os europeus, pode ser fatal: a de
subestimar o adversário. A Romênia sentiu isso, sentiu também que
Fontana estava desentrosado no time e, assim, era fácil entrar na
área, com elas descia sempre o desespero para nossa defesa, que não
tem confiança em seu goleiro.
Para João Saldanha,
entretanto, a causa de nossos defeitos não era apenas a insegurança
que Félix transmite a todos os zagueiros:
- A pior coisa de nossa equipe não foi a atuação da defesa, nem
foram as lamentáveis intervenções de Félix. Nosso maior defeito foi
o banco de reservas, onde não havia homens para o meio-campo. Com a
saída de Gérson e Rivelino e a contusão de Clodoaldo, o time todo
teve que ser mexido, nos três setores. Uma autêntica mudança de
trânsito.
José Luís Herrera,
enviado especial de El Heraldo, da cidade do México, não
gostou do Brasil nos seus três setores, não gostou da Romênia nem do
jogo.
- Mentiríamos, como jornalistas, se afirmássemos que o jogo entre
Brasil e Romênia foi uma maravilha. Muito longe disso, os 90 minutos
foram um convite ao sono, interrompido apenas pelos cinco gols, os
quais foram de tão baixa qualidade que nem nos emocionou.
Bom ou ruim, o jogo
contra a Romênia deixou duas lições: 1- as falhas da defesa são a
causa da insegurança de Félix; 2- aqueles que já julgavam o Brasil
campeão viram que não estava tão fácil. |