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As
Feras amansam o Leão da Rainha
O
segundo jogo
Brasil 1 x 0 Inglaterra (Jogo Nº 437 da
Seleção)
Data: 7/6/1970 - Oitavas-de-Final
Local: Estádio Jalisco
Cidade: Guadalajara (México)
Público: 66.843
pessoas
Árbitro: Abraham Klein (Israel)
Brasil
Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e
Everaldo; Clodoaldo e Rivelino; Jairzinho, Tostão (Roberto
Miranda), Pelé e Paulo César Caju.
Técnico: Zagallo
Inglaterra
Banks, Wright, Labone,
Bobby Moore e Cooper; Muuuullery, Bobby Charlton (Bell e Ball; Lee (Astle),
Hurst e Peters.
Técnico: Alf
Ramsey
Gols: Jairzinho (14') do 2o.T.
Cartões amarelos:
Lee
Era o
segundo jogo, mas poderia ter sido a final. A vitória suada sobre os
então campeões do mundo mostrou toda a força da Seleção.
Um gol
maravilhoso de Jairzinho, com a genial construção de Tostão e Pelé,
foi a marca que o Brasil deixou na Inglaterra, um time bravo e muito
valente.
No
grande confronto entre o futebol-força e o futebol-arte mais uma vez
prevaleceu a habilidade do homem: só um brasileiro seria capaz de
driblar em espaço tão pequeno como Tostão conseguiu; só um
brasileiro poderia com um leve toque toque de bola tirar todos os
adversários da jogada como Pelé fez. Mas o chute de Jairzinho levou
toda a violência que caracteriza o futebol-força.
Nos primeiros 45 minutos,
o brasileiros, muito cuidadosos na defesa, permitiram que os
ingleses tivessem domínio territorial. Grande equipe, com um padrão
de jogo definido, firme na defesa e rápida no ataque, os ingleses
apenas se enganaram quando acreditaram encontrar facilidades diante
de nossa defesa: a máquina inglesa fez tudo certinho, menos chutar a
gol. Os brasileiros corriam a bola de pé em pé, os ingleses corriam
atrás dela - e perdiam o fôlego, o auqe lhes seria fatal no segundo
tempo.
Depois do intervalo, o
time brasileiro mostrou-se descontraído, principalmente os homens de
meio-campo, que passaram a dar mais apoio ao ataque e se
transformaram em atacantes em algumas ocasiões. Aos 14 minutos,
prevaleceu a categoria individual sobre o atleta de laboratório:
Tostão e Pelé, depois de sucessivos lances geniais, colocaram Jair
cara a cara com Banks: Brasil 1 x 0.
Logo depois, o técnico
Alf Ransey abdicava de vez da categoria individual e substituía Lee
e Bobby Charlton - já então extremamente cansado: durante o primeiro
tempo, ele foi a maior figura em campo.
Com a entrada de dois
pontas-de-lança, os ingleses deixaram de lado as tentativas de
penetração pelas laterais e, desesperados diante da segurança da
defesa brasileira, passaram a centrar bolas sobre a área.
Mas o Brasil era um time
tranqüilo, consciente de sua força, trocava passes e mais passes, só
tentava o bote na certa.
A vitória valeu acima de
tudo como a afirmação da escola brasileira sobre a inglesa.
O GRANDE LANCE
Tostão recebe na
esquerda, entra na área, dribla um adversário, é combatido por mais
dois, mas roda em torno de si mesmo, livra-se dos três e, de costas
para o gol, dá de curva, de pé direito, para Pelé. Com leve toque, o
Rei deixa Jairzinho cara a cara com Banks. Jair chuta com violência,
balança as redes de Banks e sacode milhões de brasileiros. Outras
marcas deste jogo sensacional.
* A violência -
Aos 15 minutos, Lee faz uma falta desleal em Everaldo e pouco depois
entra com o joelho na cara de Félix. Aos 36, Carlos Alberto vai à
forra, derrubando Lee com um tranco pesado.
* A tensão - Os
minutos finais são de nervosismo. Aos 38 minutos, Félix falha numa
saída, mas Bell chuta fora. Aos 40, Clodoaldo muda o jogo para a
esquerda, dando a Roberto, mas Banks defende. Aos 42, Félix sai bem
do gol, mas não alivia o cerco. Astle não consegue cabecear, usa a
mão, Brito - maravilhoso o jogo todo - afasta o perigo. Agora é o
fim: Bobby Moore e Pelé se abraçam, o inglês leva a camisa 10. O
derrotado ganha o seu maior troféu.
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